Uma análise publicada na Folha de S.Paulo afirma que a violência política mudou de forma nas últimas eleições presidenciais. Até aqui, o padrão mais comum era o de mortes planejadas. Nas disputas de 2022 e 2026, porém, surgiram ataques imediatos, cometidos no calor do conflito.

Dados do Núcleo de Instituições Políticas e Movimentos Sociais do Cebrap registram 1.228 casos entre a primeira posse de Lula, em 2003, e a tentativa de golpe em 2023. Os casos incluem ameaças, tentativas e assassinatos. Políticos foram 63,1% das vítimas.

Segundo o levantamento, os assassinatos são cinco vezes mais frequentes no Norte, com 13,9 casos por milhão de eleitores, do que no Sul, com 2,6. Também ocorrem mais em governos de direita, com média de 56,1 por ano, contra 25,9 nos de esquerda. O texto afirma que o fenômeno acontece em todos os estados e anos analisados.

Nos 20 anos pesquisados, 87,5% dos assassinatos foram cometidos com arma de fogo. Em regra, um dos lados contratava um intermediário para executar a morte. Nas duas últimas eleições, esse padrão deu lugar a agressões espontâneas de eleitores comuns, que usaram tijolos, carros ou armas.

O texto cita casos em Padre Bernardo, Goiás, em 2022, quando um motorista atirou contra um apoiador de Lula que comemorava a vitória. Em 2026, há relatos em General Carneiro, Mato Grosso, Montes Claros, Minas Gerais, e Porto União, Santa Catarina. Um levantamento preliminar indica mais casos de bolsonaristas hostilizando petistas do que o contrário, mas ainda não há pesquisa rigorosa sobre o tema.