A Flórida manteve-se como reduto republicano na eleição de meio de mandato dos Estados Unidos, realizada na terça-feira, enquanto o mapa nacional ficou majoritariamente azul. O estado elegeu todos os cargos locais disputados pelo partido, mas com margens apertadas e menos votos do que em pleitos anteriores.
O governador Ron DeSantis disse que a derrota republicana em diversas partes do país equivale quase a um evento de extinção, possivelmente o mais grave em um século. Segundo ele, só a Flórida resistiu ao resultado. O partido perdeu a maioria nas duas casas do Congresso e várias governadorias.
Byron Donalds, republicano apoiado por DeSantis e pelo presidente Donald Trump, foi eleito governador com vantagem de 1,3 ponto percentual. A vitória foi estreita, apesar de os republicanos terem mais eleitores registrados no estado que os democratas. Donalds concentrou a campanha no alto custo de vida, tema também explorado pela oposição.
Políticos e analistas atribuem a perda de votos ao aumento do custo de vida e às políticas de imigração defendidas pelo partido. Em todos os distritos da Câmara dos Representantes houve deslocamento de votos para os democratas, entre 4 e 23 pontos percentuais em relação a 2024. Parte da rejeição recai sobre o apoio dos legisladores estaduais ao aumento de recursos para o ICE e aos acordos 287(g) com polícias locais.
Na eleição especial para o Senado, a republicana Ashley Moody, nomeada temporariamente por DeSantis para a vaga deixada por Marco Rubio, obteve 50,87% dos votos. A democrata e socialista Angie Nixon teve 47,9%, um resultado acima do previsto pelas pesquisas, que davam até 10 pontos de vantagem à republicana.
No distrito 27, a deputada republicana María Elvira Salazar venceu o democrata Elliot Rodríguez por pouco mais de mil votos, cerca de 0,44 ponto percentual. A diferença fica próxima do limite de 0,50% que aciona a recontagem automática na Flórida. Em vez de ler um discurso dirigido ao presidente, Salazar fez uma mensagem genérica ao partido sobre economia e imigração.
Salazar defende o projeto Dignidade, apresentado em 2022 com a democrata Verónica Escobar. A proposta criaria uma via para regularizar imigrantes sem documentos que vivam há mais de cinco anos no país sem cometer crimes, mas não daria caminho para a cidadania. O texto tem cerca de 40 apoiadores de ambos os partidos e ainda não chegou a votação no plenário.
Ainda não está definido se a recontagem no distrito 27 será necessária, pois depende da diferença final dos votos. Também não há previsão de quando o projeto Dignidade poderá ser votado no Congresso.




