O Banco Central do Paraguai assumiu o controle do Banco Ueno na madrugada de 3 de novembro e começou a dissolver a instituição. A polícia prendeu o diretor-geral, Miguel Vázquez, que responde por acusações como abuso de confiança, contabilidade irregular e tentativa de fraude. Clientes chegaram a ser contidos pelos policiais ao tentar entrar nas agências, sem acesso às economias.
O banco era visto como uma fintech moderna e estava presente em todo o país, com patrocínios de estádios, festivais e da seleção nacional de futebol. Segundo as informações apuradas, ele atendia 2,9 milhões de paraguaios, cerca de dois terços da população adulta, e esperava chegar a uma avaliação de US$ 1 bilhão.
A crise ganhou dimensão política porque o Ueno mantinha relações com o governo. Cerca de US$ 850 milhões de recursos públicos estavam depositados no banco, incluindo parte dos fundos de previdência. Além disso, o presidente Santiago Peña detinha ações de uma empresa ligada ao banco até o ano passado. Peña negou qualquer irregularidade.
Na quinta-feira, 5, a Câmara rejeitou um pedido de impeachment contra o vice-presidente Pedro Alliana, mas deu andamento ao processo contra Peña. Manifestantes foram ao palácio presidencial. Em vídeo, Peña afirmou que 98% dos clientes devem receber o dinheiro de volta pelo fundo garantidor de depósitos e que os responsáveis serão punidos.
Ainda não está claro quanto será possível recuperar além do limite garantido. O fundo de reserva foi autorizado a reembolsar até US$ 38 mil por cliente em 15 dias, e o banco central afirma que oferecerá apenas a maior proteção possível acima desse valor. Também há rumores de que outra instituição negocia a compra do Ueno, e especialistas temem a venda de dados biométricos dos clientes.




