A noite foi tensa em Assunção após a destituição do presidente Santiago Peña e a posse de Pedro Alliana como novo presidente do Paraguai. Desde as 22h, dezenas de pessoas se reuniram em frente à residência de Peña, no bairro Mburucuyá. Um cordão policial tentou conter o avanço, mas o grupo ultrapassou a barreira e chegou até a porta da casa. Perto da meia-noite, Peña deixou o local em direção a um edifício da Escolta Presidencial.
Ele deve chegar à sede da fiscalia especializada em delitos econômicos às 11h, para seu primeiro depoimento sobre a crise bancária. Segundo o promotor Christian Benítez, Peña será investigado por suspeita de lesão de confiança, administração em proveito próprio e tráfico de influência. Circulam versões de que a defesa pediria que os promotores tomassem o depoimento na Escolta Presidencial, para evitar novos incidentes no centro da capital.
A crise envolve o Ueno Bank, cujo fechamento foi determinado pelo Banco Central na terça-feira. Ao longo da manhã de sábado, o presidente interino da autoridade monetária informou que cerca de 1,2 milhão de correntistas já recuperaram o dinheiro que estava retido nas contas da instituição.
Carlos Carvallo, ex-CEO do Ueno Bank, também tinha ordem de captura e se entregou à polícia na noite de sexta-feira. Ele havia deixado a presidência do Banco Central nesta semana.
Governo tenta se reorganizar
Após a saída de Peña, o governo paraguaio busca retomar o funcionamento. Alliana começou a anunciar mudanças no gabinete ainda no sábado cedo, mas alguns nomes importantes foram mantidos, como o do ministro da Economia, Carlos Lovera. Ainda não se sabe quem vai comandar o Banco Central.
Aposentados que recebiam pelo Ueno Bank terão de esperar mais dez dias para ter acesso ao dinheiro, segundo o presidente da autoridade previdenciária. Também não está claro qual será o alcance das acusações contra Peña, que dependem do andamento das investigações e do depoimento desta manhã.




