Em uma viagem que passa por Uruguai, Argentina e Peru, o papa Leão XIV deve reunir milhões de pessoas na Argentina, segundo a reportagem. Estão previstas missas multitudinárias e mais de 25 mil voluntários se inscreveram para ajudar na organização.

Apesar do fervor visto nas ruas, os dados sobre a fé católica apontam queda. A região ainda é a maior reserva de fiéis do catolicismo no mundo, mas a proporção de católicos vem caindo de forma constante, com aceleração na última década.

Segundo o Latinobarómetro, a parcela de latino-americanos que se declaram católicos passou de 80% em 1995 para 55% em 2026. No mesmo período, quem não segue nenhuma religião subiu de 4% para 16%. Já os evangélicos chegaram a 19%, ante 6% há 25 anos.

O Pew Research Center, em levantamento com seis países, registrou aumento expressivo dos sem religião. Na Argentina, o grupo dobrou em uma década, de 11% para 24%. No México, foi de 7% para 20%, e na Colômbia, de 6% para 23%. Ainda assim, nove em cada dez latino-americanos dizem acreditar em Deus.

A reportagem aponta que o crescimento evangélico, sobretudo no Brasil e na América Central, ajudou a reduzir o peso do catolicismo. Especialistas citam a adaptação a diferentes contextos e a ideia de prosperidade como fatores. No Brasil, o candidato Flávio Bolsonaro propôs a criação de um ministério da prosperidade, em aceno ao voto evangélico.

O declínio tem ritmos distintos em cada país. No Uruguai, apenas 35% se declaram católicos, e o governo de esquerda de Yamandú Orsi tem sintonia com o discurso social da Igreja. Na Argentina, a Igreja mantém forte poder institucional, mas a adesão caiu de 90% em 1960 para 58% neste ano, segundo o Ceil-Conicet.

Sociólogos atribuem parte da perda na Argentina à atuação da Igreja durante a ditadura e à oposição a temas como divórcio, aborto e eutanásia. Já no Peru, onde a queda é menos acentuada, o papa é bem avaliado. Ainda não está claro até onde a tendência vai se manter nos próximos anos.