Uma série de ameaças de bomba contra voos de passageiros obrigou aeronaves a mudar de rota, fazer pousos de emergência e receber escolta militar no espaço aéreo europeu nesta semana. Mais de duas dezenas de alertas foram registrados. As autoridades classificam todos como trotes maliciosos, e nenhum ataque real foi executado.
Mesmo sem danos físicos, os episódios mostraram o impacto que alegações falsas podem ter sobre uma rede de aviação com horários apertados. Cada desvio gera medo entre passageiros e pressiona as companhias aéreas, que precisam lidar com tripulações fora de escala e conexões perdidas.
Um e-mail enviado na sexta-feira a emissoras europeias afirmava vir do líder do grupo por trás dos trotes contra aviões. A mensagem dizia também que haveria bombas em prédios dessas emissoras, o que levou a evacuações. Nenhum explosivo foi encontrado nos locais. A agência Reuters informou que não conseguiu verificar a identidade do remetente nem a origem dos e-mails, nem se eles têm ligação com as ameaças aos voos.
Responsabilidades divididas
Segundo agências internacionais, a responsabilidade pelo enfrentamento dessas ameaças é fragmentada. A avaliação de riscos e a aplicação das medidas de segurança da aviação cabem, principalmente, às autoridades nacionais, em conjunto com operadores de aeroportos, companhias aéreas e forças policiais. Os controladores de tráfego aéreo participam ao indicar aeronaves um local adequado para pousar.
Agências de segurança aérea europeia e britânica definem regras de segurança e o preparo das tripulações. A Comissão Europeia atua na política de segurança da aviação e na coordenação entre os países do bloco. Segundo um representante de pilotos britânicos, as companhias classificam cada ameaça em vermelho, âmbar ou verde, mas um alerta nunca recebe a classificação âmbar com a aeronave no ar. Se a ameaça for considerada crível, o comandante assume as decisões, e a prioridade em voo é pousar com a maior rapidez e segurança possíveis.
Um consultor do setor afirmou que a tendência é que a maioria dos alertas seja considerada não crível com base em protocolos de risco de rotina. Ele ressaltou, porém, que ajustar as regras existentes exigiria tempo e equilíbrio entre países, aeroportos, órgãos de segurança e a União Europeia, com a geopolítica também influenciando o processo.
O que ainda não se sabe
Ainda não há identificação dos autores. Analistas de segurança afirmam que os responsáveis podem ser agentes ligados a Estados, mas essa suspeita não foi confirmada pelas autoridades. Também não está claro se o e-mail enviado às emissoras partiu do mesmo grupo que fez os alertas contra voos.
Especialistas ouvidos pela CNBC disseram que as autoridades devem tentar entender o que mudou para que tantos alertas tenham sido considerados críveis. Eles também afirmaram que as medidas adotadas não devem ser divulgadas publicamente, para não alertar os responsáveis.




