O senador Flávio Bolsonaro fez sua primeira aparição pública desde que deixou o Brasil em um jantar privado da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), realizado na mansão de Donald Trump em Mar-a-Lago, no estado da Flórida. A apresentação ocorreu na noite de quinta-feira. Ele subiu ao palco ao lado do irmão Eduardo Bolsonaro e de Matt Schlapp, presidente da CPAC, que os apresentou sob aplausos da plateia. O evento foi fechado ao público, mas um vídeo com trechos da fala circulou nas redes sociais.
Durante a conversa, Flávio afirmou que continuará lutando pelo país a partir dos Estados Unidos. Ele disse que seu grupo político obteve maioria na Câmara e no Senado e que essa base será uma trincheira para conter o avanço do comunismo no Brasil. Também criticou o Supremo Tribunal Federal e afirmou que, pelas vias legais existentes, não há a quem recorrer para reparar uma injustiça.
Ao ser questionado sobre a eleição, Flávio disse: "As eleições foram roubadas", sem apresentar provas. Lula venceu o pleito por cerca de quatro milhões de votos. O resultado foi certificado pela Justiça Eleitoral, cujo presidente foi nomeado por Jair Bolsonaro.
Saída do país
Flávio deixou o Brasil dois dias após a derrota. No dia seguinte ao pleito, ele visitou o pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Na mesma época, recebeu ordem judicial para entregar os passaportes em 24 horas, em uma investigação por corrupção. Em vez de entregar o documento, usou o passaporte para cruzar a fronteira. Em entrevista ao jornal The New York Times, publicada em Miami, ele afirmou não ter recebido ajuda externa e disse que, se tivesse permanecido no país, teria sido condenado quase com certeza. Não há provas dessas afirmações.
Ele é o segundo dos irmãos Bolsonaro a se instalar nos Estados Unidos, onde foi acolhido com uma autorização de permanência de um ano. Eduardo vive no Texas após ser condenado no Brasil por interferir no processo contra o pai. Outros dois irmãos foram eleitos deputados, e a esposa do pai é senadora.
Ainda não está claro até que ponto a direção do Partido Liberal (PL) conhecia os planos de Flávio. O partido passa por uma reorganização após a saída de seu candidato presidencial. Também não há informações sobre a duração da permanência dele nos Estados Unidos nem sobre o andamento da investigação que motivou a ordem de entrega do passaporte.




