Em Cuiabá, capital de Mato Grosso, eleitores bolsonaristas afirmam que o senador Flávio Bolsonaro fez o correto ao deixar o país. Dois dias depois de perder a eleição presidencial para Lula, ele viajou de forma discreta aos Estados Unidos, em um avião privado, e foi para a Flórida. A saída ocorreu depois de ele não ter entregado os passaportes, como determinava uma ordem judicial.
No estado, Flávio obteve 66% dos votos, contra 34% de Lula. A região cresce com o avanço do agronegócio, setor que sustenta a base conservadora local. Entrevistados disseram que o senador não teria alternativa a não ser sair do Brasil, pois temiam uma prisão. Alguns também afirmam que houve fraude, embora o presidente do Tribunal Superior Eleitoral tenha declarado Lula vencedor por cerca de quatro milhões de votos.
Investigação e contexto
Flávio é investigado por suspeita de corrupção, mas, segundo a reportagem, não foi acusado formalmente de nenhum crime. Seu pai, Jair Bolsonaro, está preso e sem poder se comunicar com seus seguidores. A narrativa de perseguição política por parte do Supremo Tribunal Federal é central para a militância, que atribui a derrota a irregularidades no pleito.
O Partido Liberal reconheceu a vitória de Lula e tenta se reorganizar, mas já aparecem divisões internas. Da Flórida, Flávio divulgou uma carta em que diz que fará oposição a partir dos Estados Unidos e sugere que pode disputar a Presidência novamente. Eduardo Bolsonaro também está nos EUA. Entre a militância, o deputado Nikolas Ferreira, reeleito com cerca de três milhões de votos, é apontado como possível liderança da direita.
Ainda não está claro se Flávio voltará ao Brasil, qual será sua situação jurídica nem se a investigação sobre corrupção avançará. Também não se sabe como o PL vai se rearranjar sem o protagonismo da família Bolsonaro nas próximas disputas.




