A escritora Tatiana Salem Levy publicou coluna no Valor Econômico em que reflete sobre como o segundo turno das eleições afetou seu trabalho. Ela diz que pretendia escrever sobre livros, mas o noticiário a levou a pensar no próprio resultado e na mobilização de eleitores.

Segundo a autora, o dia 25 de outubro de 2026 marcou duas situações inéditas: pela primeira vez na redemocratização, um candidato derrotado no primeiro turno venceu no segundo, e um mesmo candidato chegou à Presidência pela quarta vez. Ela cita idosos que saíram de casa para votar, barcos que atravessaram rios no Amazonas para levar indígenas às urnas e pessoas com deficiência que enfrentaram ruas alagadas.

Levy também descreve o tempo que passou no celular durante as semanas entre os dois turnos. Ela afirma que o aparelho registrou média de seis horas diárias de uso e diz que decidiu se afastar das redes sociais.

Imaginação e realidade

No texto, a escritora compara o enredo político a uma obra de ficção. Ela sugere que um romance sobre a campanha seria difícil de convencer o leitor, porque a realidade teria sido mais inverossímil do que qualquer invenção. A reflexão retoma a ideia de que, no Brasil, a realidade supera a imaginação.

Ao falar de memória, a colunista lembra as Diretas Já, os showmícios de 1984, os debates de 1989 e a eleição de 2002. Ela relaciona esses episódios à forma como pais e filhos vivem momentos políticos e à possibilidade de que as crianças de hoje venham a escrever sobre a eleição.

A coluna não traz análise técnica do resultado nem dados oficiais sobre a votação. A autora afirma que não pretende comentar as eleições como colunista de política, e o texto se apoia em impressões pessoais e em observações sobre o comportamento de eleitores.

Tatiana Salem Levy é escritora e pesquisadora da Universidade Nova de Lisboa e escreve quinzenalmente no espaço. O texto não informa se a autora pretende retomar o tema em edições seguintes ou qual livro deve escrever sobre o período.