O preço do petróleo continua perto de recordes, mesmo com a volta das exportações do Oriente Médio. Na semana encerrada em 23 de outubro, as vendas da região superaram 17 milhões de barris por dia, segundo a Vortexa, empresa de análise de dados. Ainda assim, o Brent, principal referência internacional, subiu 20% no período e chegou a US$ 115 por barril, próximo do pico de abril.

Segundo analistas, três fatores explicam o cenário. O primeiro é a mudança no consumo da China. Em março, Pequim proibiu a exportação de derivados, e as importações de petróleo bruto caíram quase pela metade entre fevereiro e junho. A partir de julho, o país retomou as vendas de derivados e voltou a comprar mais petróleo.

O segundo fator é o custo do transporte marítimo. A forma como a China passou a comprar, no mercado à vista, aumentou a demanda por petroleiros. A reabertura parcial do estreito de Hormuz também elevou a necessidade de navios. Em outubro, o frete passou a responder por 25% a 30% do custo de entrega ao comprador chinês, ante 4% a 7% antes.

O terceiro fator é o receio de novos episódios de violência. Em outubro, o Irã atacou pelo menos 30 embarcações, maior número mensal desde o início da guerra. Rebeldes houthis do Iêmen também atacaram instalações na Arábia Saudita. Para o JPMorgan Chase, o Brent está cerca de US$ 20 acima do valor considerado justo.

O que ainda não se sabe

O mercado aguarda para ver se o presidente Donald Trump atacará o Irã depois das eleições legislativas americanas de 3 de novembro. Trump deu a entender essa possibilidade, mas não há confirmação. Se ele recuar, os preços podem cair em poucos dias. Bombardeios em larga escala, porém, poderiam levar o barril a US$ 130 ou US$ 140, segundo a S&P Global. Os contratos futuros indicam que o temor é de interrupção do abastecimento até 2027.