O cabo Igor trocou em 2026 a mira de um canhão de 105 mm, no blindado de reconhecimento AMX 10 RC, por óculos de visão em primeira pessoa e um controle portátil. Hoje ele é piloto de ataque no primeiro esquadrão de combate com drones da França, criado a partir de uma iniciativa do 1º Regimento de Infantaria de Marinha, o 1er RIMa.
A unidade surgiu de um dos três esquadrões de cavalaria leve do regimento, convertido em formação experimental só com drones. Segundo o chefe do Estado-Maior do Exército, general Jacques de Montgros, a meta é chegar a cerca de 15 unidades de combate com drones até o verão de 2027, com mais formações até o fim do ano seguinte.
A França enviou recentemente uma unidade desse tipo à Romênia, pela Missão Águia, liderada pelos franceses para reforçar o flanco leste da OTAN. Outra deve ir à Polônia para um exercício no mês que vem.
O conceito foi testado no exercício Hedgehog, na Estônia, em maio de 2025, com cerca de dez pilotos. Segundo o major Sylvain, responsável pelas operações do regimento, os franceses representavam cerca de 5% da força ativa do grupo tático e responderam por 20% das baixas impostas às forças americanas em um dia de combate simulado.
Em abril de 2026, o Estado-Maior declarou o esquadrão plenamente operacional. No exercício Orion 2026, segundo o coronel Aymeric Caussin, os pilotos atingiram quatro postos de comando regimentais, comboios logísticos e unidades de defesa antiaérea e antidrones.
Os oficiais, porém, afirmam que os drones não substituem os blindados. A unidade tem cerca de 100 pilotos em um efetivo de 120 militares, e a eficácia dos disparos FPV ainda é limitada. Segundo o sargento Tristan, a taxa de acerto varia de 5% a 10% para um piloto novato e chega a 30% para um experiente, contra mais de 90% do canhão do AMX 10 RC.
Ainda não está claro como o esquadrão se sairá contra um adversário com drones e guerra eletrônica desenvolvida. Nos exercícios de junho, em Mailly-le-Camp, o regimento teve de lidar com interferência eletrônica, que reduziu a eficácia dos drones em várias ocasiões. Os oficiais dizem que ainda precisam aprender a diferenciar bloqueios reais de falhas de execução.




