O cientista político Leonardo Trevisan avaliou que as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como midterms, podem reconfigurar o equilíbrio de poder em Washington e repercutir nas relações bilaterais com o Brasil. A análise foi dada em entrevista à TV 247.
Segundo o professor, uma eventual mudança de maioria no Congresso, sobretudo no Senado, alteraria a composição de comissões estratégicas, como a de Relações Exteriores. Essas comissões têm poder de investigação e de convocação, podendo exigir explicações de integrantes da diplomacia e da inteligência americana sobre operações internacionais.
A entrevista também tratou da saída do deputado Flávio Bolsonaro do Brasil em direção aos Estados Unidos, episódio que, segundo o analista, teria contado com apoio de setores da extrema-direita internacional e de figuras como o senador Marco Rubio. Trevisan avaliou que a ida atendeu sobretudo a interesses de grupos radicais em Washington, que buscariam explorar o caso para mobilizar o eleitorado conservador americano.
Prejuízo político e cautela internacional
Para o analista, o movimento teria desmobilizado a base militante brasileira e deixado a liderança política exposta. Ele também apontou sinais de cautela de lideranças internacionais, que evitaram se comprometer de forma irrestrita com o caso, o que indicaria risco de perda de utilidade política conforme o cenário eleitoral americano se consolidar.
Trevisan considerou acertada a reação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que evitou transformar o episódio em confronto direto. Segundo ele, a diplomacia brasileira mantém canais institucionais e contatos de alto nível sem comprometer pontes para reuniões bilaterais e cúpulas multilaterais.
Peso econômico do Brasil
Ainda segundo o professor, a posição do Brasil no cenário internacional seria comparável à de potências médias, como o Canadá. Ele citou a produção de petróleo, a liderança na exportação de grãos e carnes e a posse de recursos estratégicos, como as terras raras, como fatores que dariam ao país capacidade de negociação em meio à disputa entre Estados Unidos e China.
Não há, nas informações divulgadas, detalhes sobre o resultado das eleições de meio de mandato nem sobre eventuais investigações no Congresso americano relacionadas ao caso Flávio Bolsonaro. Os cenários descritos pelo analista permanecem hipotéticos até a apuração final das urnas.




