O papa Leo XIV vai iniciar, em 6 de novembro, uma viagem de 11 dias à América Latina, com paradas no Uruguai, na Argentina e no Peru. A confirmação foi dada pelo Vaticano na segunda-feira, mesmo após o pontífice ter sido diagnosticado com câncer de pulmão neste mês e ter passado por cirurgia para retirada de parte do pulmão direito.

Segundo o Vaticano, o trajeto é o mais longo do pontificado até agora, com mais de 19 mil milhas de deslocamento, 12 voos e dois trajetos de helicóptero. O cirurgião Stefano Margaritora disse em 17 de outubro que a recuperação segue bem. Já o médico Luigi Carbone, responsável pela coordenação do tratamento, afirmou que não há contraindicações para a viagem.

O Peru tem papel central na história do pontífice. Robert Prevost, nascido nos Estados Unidos, chegou ao país em 1985 e permaneceu por cerca de 20 anos, em um período marcado pela violência do grupo guerrilheiro Sendero Luminoso e por abusos cometidos pelo governo na repressão. Ele atuou junto a populações pobres e naturalizou-se peruano antes de ser eleito papa no ano passado.

Contexto na região

A América Latina concentra cerca de 40% dos 1,42 bilhão de católicos do mundo. Ainda assim, em seis dos países mais populosos da região, a parcela de pessoas que se declaram católicas caiu nove pontos percentuais na última década, segundo pesquisa do Pew Research Center de 2024. O avanço das igrejas evangélicas e o aumento de pessoas sem religião também contribuem para o recuo, assim como os casos de abusos sexuais envolvendo clérigos.

No Uruguai, mais da metade da população não tem vínculo religioso, e o país é o único da região sem maioria cristã. Será a primeira visita de um papa ao país desde 1988. Na Argentina, terra natal do papa Francisco, o pontífice fará uma homenagem ao antecessor na Catedral Metropolitana de Buenos Aires. Não há visita de papa ao país desde 1987.

No Peru, a viagem incluirá Lima, Chiclayo, Cusco e Pucallpa. Leo foi bispo de Chiclayo entre 2015 e 2023, e a expectativa é de forte recepção da população local. Não está claro, com base nas fontes, como a saúde do pontífice afetará a programação ao longo das paradas.