As exportações de equipamentos de defesa da Índia para a Europa aumentaram de forma expressiva, puxadas principalmente pela demanda por munições e projéteis de artilharia. O movimento acompanha o aumento de gastos militares de países europeus após a invasão russa da Ucrânia.

Segundo o secretário de Defesa indiano, Rajesh Kumar Singh, a demanda ligada à iniciativa ReArm Europe, da União Europeia, somada à expansão da base industrial de defesa da Índia, está impulsionando as vendas. Ele falou em evento em Nova Délhi no dia 23 de outubro.

Um levantamento da agência Bloomberg, citado por Singh, aponta que a Índia exportou ao menos US$ 872 milhões em munições nos quatro anos seguintes à invasão da Ucrânia, alta superior a 1.600% em relação ao período de quatro anos anterior. Os dados têm como base a Trade Data Monitor.

Romênia, Eslovênia, República Tcheca, Eslováquia, Bulgária, Croácia e Polônia estão entre os maiores compradores. Os envios incluem projéteis de artilharia, munições de pequeno calibre, morteiros, propelentes e explosivos. Segundo Samuel Rajiv, pesquisador do Instituto Manohar Parrikar de Estudos de Defesa e Análises, em Nova Délhi, destinos europeus responderam por 40% das exportações indianas de armas e munições no último ano fiscal.

Parcerias industriais e acordo comercial

Analistas avaliam que a alta pode se converter em tendência de longo prazo. Rajiv afirmou que a Europa deve direcionar mais recursos para transformar sua base industrial de defesa, o que abre espaço para a Índia. Um acordo de livre comércio entre Índia e União Europeia, já concluído, deve reduzir tarifas sobre armas e munições quando entrar em vigor no próximo ano.

Nova Délhi também busca papel mais amplo no mercado europeu de defesa por meio de parcerias industriais. Singh disse que a Índia quer criar joint ventures com empresas europeias em território indiano, enquanto companhias indianas buscariam parceria na Europa para acessar programas de compras militares governamentais.

Analistas ressaltam que ainda não está claro se Índia e União Europeia conseguirão construir laços industriais de defesa duradouros. Dinakar Peri, pesquisador do programa de estudos de segurança do Carnegie India, disse que a Europa busca diversificar fornecedores e vê a Índia como opção de escala e confiança, em meio a dúvidas sobre os Estados Unidos.

O principal ponto em aberto são os laços militares antigos entre Nova Délhi e Moscou. Peri afirmou que não está claro como o bloco europeu, como conjunto, vai avaliar essas relações, o que pode gerar resistência em algumas capitais europeias.