Os carros elétricos fabricados na China já somam mais de 9% dos novos automóveis vendidos na Europa, apesar das tarifas impostas por Bruxelas. Uma análise publicada pela Foreign Policy sustenta que a estratégia de Pequim vai além dos subsídios e aponta Marrocos como peça central para driblar essas barreiras.

Segundo os autores, empresas estatais chinesas abriram caminho com grandes obras de infraestrutura e acesso a recursos estratégicos. Depois, companhias privadas chinesas passaram a se instalar no país, aproveitando incentivos fiscais e a proximidade do porto de Tanger Med, o maior de contêineres da África.

Os investimentos chineses em Marrocos já passaram de US$ 10 bilhões em março, concentrados em veículos elétricos e energia. Entre os projetos citados estão a fábrica de baterias da Gotion, de US$ 1,3 bilhão, e uma joint venture de materiais para baterias entre a CNGR e a Al Mada, de US$ 2 bilhões.

Pelas regras europeias, veículos considerados marroquinos podem entrar no bloco sem tarifa, desde que a parte de componentes estrangeiros fique abaixo de 45% do preço na saída da fábrica. Na prática, a análise estima que a carga tributária possa cair de até 45% para zero.

A fonte também associa a aproximação econômica a uma mudança diplomática. Em 2024, Pequim fez referência ao apoio a Rabat, e no ano passado se absteve em resolução da ONU que endossou a proposta marroquina de autonomia para o Saara Ocidental.

Ainda há incertezas. Um projeto de fábrica de montagem da BYD foi engavetado, segundo um executivo da empresa, por questões orçamentárias e pela falta de infraestrutura de recarga. Por enquanto, as montadoras chinesas não produzem veículos completos no país, e o ganho pleno dependeria de anos de amadurecimento da produção local.