O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou em entrevista que o país está "no olho do furacão" às vésperas de eleições gerais. A votação pode definir o futuro de Israel e funciona também como um novo referendo sobre o poder dele, que conhecido nos bastidores como "Bibi".

Netanyahu é o premier mais longevo da história do país e comandou o governo por 19 anos. Nascido um ano após a fundação de Israel, ele viveu nos Estados Unidos na juventude e serviu nas Forças Armadas. Como diplomata e líder da oposição, construiu laços com políticos americanos, incluindo a família do presidente Donald Trump.

Ele chegou ao poder em 1996, após o assassinato do premier Yitzhak Rabin por um ultranacionalista contrário aos Acordos de Oslo. Desde então, o governo dele foi marcado por atentados, denúncias de corrupção e divergências internas, além de uma derrota eleitoral em 1999.

Da fronteira com a Palestina ao Irã

Ao longo das décadas, Netanyahu se opôs à criação de um Estado palestino independente. Na Cisjordânia, o governo ampliou colônias judaicas, consideradas ilegais pelo direito internacional. Ele também acusou o Irã, por mais de três décadas, de estar perto de obter uma bomba nuclear, e criticou o acordo nuclear de 2015.

Com Trump, ele conseguiu a saída americana do acordo com Teerã, a mudança da embaixada para Jerusalém e os Acordos de Abraão, que estabeleceram relações diplomáticas com quatro países árabes. Ao mesmo tempo, processos por corrupção avançaram, com indiciamento em 2019 e julgamento iniciado em 2020, ainda sem conclusão.

Após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deixou quase 1,2 mil mortos em Israel, o país lançou uma ofensiva em Gaza. Segundo autoridades locais, citadas pela ONU, 74 mil pessoas morreram no território. Em 2024, o Tribunal Penal Internacional emitiu uma ordem de prisão contra o premier.

A guerra ampliou a presença militar israelense no Líbano e na Síria, com bombardeios e a criação de zonas de segurança. No Irã, ataques conduzidos com os Estados Unidos em fevereiro mataram líderes, incluindo o aiatolá Ali Khamenei, mas o Estreito de Ormuz segue parcialmente fechado.

Há relatos na imprensa internacional de planos com Trump para retomar os bombardeios ao Irã em algumas semanas. Ainda não está claro se isso ocorrerá, nem qual será o resultado da eleição em Israel e seus efeitos sobre o conflito regional.