O governo brasileiro cancelou nesta terça-feira os passaportes do senador Flávio Bolsonaro depois que ele não os entregou à Polícia Federal, como exigia uma decisão do Supremo Tribunal Federal. A medida faz parte de uma investigação por lavagem de dinheiro, na qual Flávio nega qualquer irregularidade. Segundo duas fontes da corporação, o prazo de 24 horas dado na segunda-feira expirou sem que ele cumprisse a ordem.

Flávio, que era considerado favorito, perdeu a eleição presidencial de domingo para o presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva, que disputava a reeleição. Ele ainda não reconheceu a derrota. No domingo, afirmou que vai pedir a anulação do resultado por supostas irregularidades na votação. Já o Partido Liberal, ao qual é ligado, disse na segunda-feira que reconhece a vitória de Lula.

Desde então, o paradeiro do senador é desconhecido, o que levantou suspeitas de que ele tenha deixado o país. A Polícia Federal tenta localizá-lo. Um alto funcionário da corporação afirmou que Flávio não saiu do Brasil por nenhum posto de imigração regular. Um cidadão brasileiro precisa apenas de carteira de identidade para entrar na Argentina, e não de passaporte.

O governo argentino informou que não há registro de entrada de Flávio em seu território. Após reportagens sobre um avião particular no Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu, na fronteira entre os dois países, as autoridades argentinas inspecionaram a aeronave e a tripulação e não encontraram plano de voo com o nome da família Bolsonaro. Um porta-voz do presidente argentino Javier Milei disse que não houve pedido de asilo, sem dar mais detalhes.

Contexto e o que ainda não se sabe

O caso lembra a trajetória de Jair Bolsonaro, pai de Flávio, que deixou o Brasil e foi para os Estados Unidos após recusar-se a reconhecer a derrota para Lula em 2022. Ele voltou ao país depois, mas foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe. Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio e morador dos Estados Unidos, disse antes da votação que, em caso de derrota, o senador deveria deixar o país.

O advogado e influenciador Paulo Figueiredo, apontado como uma espécie de porta-voz informal da família, recusou-se a comentar o paradeiro do senador. Uma fonte próxima a Flávio disse não conseguir falar com ele. Não há confirmação oficial de onde ele está, se deixou o país nem quando isso teria ocorrido. Também não se sabe quando ele deverá entregar os documentos ou como a investigação será conduzida a partir de agora.