Os preços das ações nos Estados Unidos caíram forte nesta quinta-feira (5), e analistas passaram a discutir se o movimento é um solavanco passageiro ou o início de uma correção mais longa. Na coluna publicada pela Folha, Vinicius Torres Freire associa a queda ao temor de regras mais duras para o setor de inteligência artificial.
Na quarta-feira, com a vitória já clara do Partido Democrata, havia a avaliação de que a paralisia legislativa travaria leis que limitassem o setor. O texto lembra, porém, que os democratas não têm votos suficientes para derrubar vetos de Donald Trump. Novos governos e parlamentos estaduais também foram eleitos com a mudança de humor da população em relação à IA.
Onde está o risco de dívida
Segundo a coluna, o problema mais sério seria uma sequência de quedas e calotes. Empresas chamadas neoclouds tomam empréstimos para comprar chips e alugar infraestrutura de IA. Se o crescimento desse negócio parar, elas podem ter dificuldade para pagar as dívidas. Ainda não se sabe quanto foi emprestado, de quem, nem se os bancos foram afetados.
Fundos que buscam multiplicar a variação de índices como Nasdaq e S&P 500 também entram na conta. Esses fundos usam dinheiro emprestado e instrumentos complexos. De acordo com o Wall Street Journal, tombos desses fundos podem ter alimentado a queda das ações. Uma baixa duradoura também reduz a riqueza das famílias e tende a inibir o consumo.
Para o Brasil, o raciocínio é que uma crise nos Estados Unidos tornaria a situação econômica de 2027 ainda mais difícil, o que reforça a necessidade de medidas urgentes e prudentes de ajuste. O investimento em IA sustenta boa parte do crescimento americano. Se esse ritmo cair, a economia dos EUA pode crescer pouco ou nada. Ainda não está claro se a queda será ordenada ou se levará a quebras em série.




