O dólar fechou em alta de 0,68% nesta quinta-feira (5), cotado a R$ 5,48 no mercado à vista. O movimento ocorreu na primeira sessão após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, divulgada no dia anterior.
A diretoria do BC manteve a Selic em 13,75% ao ano. Com isso, o Banco Central interrompeu uma sequência de cinco cortes. Pela manhã, a moeda americana chegou a cair frente ao real, mas perdeu força ao longo do dia.
Além do cenário doméstico, o câmbio foi pressionado por uma nova onda de aversão ao risco em Wall Street. Os papéis de empresas de inteligência artificial pesaram sobre as bolsas de Nova York, sobretudo o índice Nasdaq. A preocupação é que a vitória ampla dos democratas nas eleições de meio de mandato abra caminho para regras mais duras sobre data centers.
Para Lucas Xavier, da AW Capital, a inversão do sinal do dólar mostra que investidores estrangeiros estão mais cautelosos. Ele citou que o fluxo estrangeiro na bolsa brasileira somou saída líquida de R$ 12 bilhões nos oito últimos pregões.
No plano interno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com ministros e economistas para discutir a pauta econômica, mas não anunciou medidas. Há expectativa de que o governo divulgue um pacote de medidas fiscais no domingo (8).
Para o analista Vitor Kayo, da Nomad, o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, mantido elevado por mais tempo, tende a dar algum suporte ao real. Ele avalia, porém, que o dólar deve seguir mais sensível aos sinais fiscais do novo governo do que à política monetária.
Ainda não se sabe quais medidas fiscais serão anunciadas nem como o mercado vai reagir a elas. Também pesa a expectativa pelo relatório de emprego dos Estados Unidos, o payroll, que pode alterar as projeções de juros e inflação no país e, com isso, ampliar a aversão ao risco ou acalmar os investidores.




