O Brasil avançou em conectividade. Em 2025, 90,5% das pessoas com dez anos ou mais já usavam a internet, cerca de 170 milhões de brasileiros. A cobertura 4G alcança praticamente toda a população, e o portal Gov.br está entre as maiores plataformas digitais de governo do mundo.

Segundo o artigo, estar conectado não equivale a estar incluído. Apenas 20% da população tinha, em 2025, o nível mais alto de conectividade significativa, índice que cai para 5% nas áreas rurais. Nas classes D e E, somente 11% dos domicílios reúnem computador e internet, ante 97% na classe A.

O texto também aponta que mais de 20 milhões de jovens e adultos não têm celular. Entre os motivos, a falta de cobertura aparece em uma parcela mínima. Pesam mais o custo do aparelho e a falta de conhecimento para usá-lo. Em 2025, apenas 35% da população tinha alguma competência digital, com lacunas maiores nas regiões Norte e Nordeste.

Inteligência artificial e desigualdade

A inteligência artificial generativa já é usada por cerca de 50 milhões de brasileiros, mas o uso segue o padrão de desigualdade social. Ele alcança 69% das pessoas da classe A e 16% das classes D e E. No meio empresarial, cerca de 9 milhões de empresas já usam IA, e 80% enfrentam escassez de profissionais com competências tecnológicas.

Entre as propostas do autor estão a redução de tributos sobre smartphones, sobretudo para famílias de menor renda, a revisão de encargos que elevam o preço da internet e o uso integral dos recursos dos fundos setoriais em áreas com falta de conexão, como zonas rurais, rodovias, escolas e unidades de saúde. Ele também defende a inclusão de competências digitais no currículo básico e na formação de professores.

Data centers e governo digital

O artigo cita que o Brasil é o principal mercado de data centers da América Latina, com mais de 200 unidades em operação. Ainda assim, o custo de instalar um data center no país seria 17,7% superior ao dos Estados Unidos, mesmo com o Redata, regime especial de tributação para esses serviços. Para o autor, reduzir essas assimetrias ajudaria a transformar vantagens como a matriz energética limpa em capacidade computacional instalada no país.

Na área pública, o texto defende integrar bases de dados e tornar sistemas interoperáveis, com exemplos na saúde, como prontuário eletrônico e receita digital. Também afirma que a coordenação entre órgãos de telecomunicações, educação, saúde, energia e proteção de dados é necessária para evitar regulações sobrepostas.

O artigo não detalha prazos, valores de investimento nem medidas concretas já definidas pelo governo para essas propostas. Também não informa como seria a estrutura de coordenação central defendida pelo autor.