Colunista do UOL Tilt, Luiz Henrique Matos analisa o papel das redes sociais e de grupos de mensagens nas eleições de 2026. Segundo ele, a estratégia de comunicação descentralizada, que já era usada por grupos conservadores há mais de uma década, foi adotada em larga escala pelo campo progressista em cerca de vinte dias.

O deputado André Janones, de Minas Gerais, aparece no texto como o principal responsável por mobilizar milhões de seguidores em torno das pautas que ajudaram na eleição de Lula. Em vídeos publicados para sua base, ele explicava como as ações, que começavam em grupos de mensagens, serviam para amplificar a mensagem e isolar vozes adversárias.

Influenciadores chegam ao Legislativo

O colunista descreve um novo padrão: influenciadores que construíram audiência em torno de causas se lançam candidatos antes de ter carreira pública. Depois de eleitos, muitos continuam usando seus canais para ampliar o capital eleitoral, e alguns não chegam a apresentar projetos de lei de interesse público. O fenômeno recebeu o nome de bancada do like.

Um estudo da FGV Comunicação citado na coluna aponta que deputados com alto engajamento digital tiveram 88% de reeleição em 2026, contra 60% entre os de pouca presença digital. Entre os três deputados federais mais votados do ano estão Nikolas Ferreira, Lucas Pavanato e Erika Hilton, que juntos somaram mais de 7,7 milhões de votos.

Figuras famosas já disputavam cargos antes, como Tiririca, deputado mais votado em 2010. A diferença, segundo a coluna, é que agora a projeção política nasce nas próprias redes, e a fiscalização sobre o uso dessa audiência para fins públicos é quase inexistente.

Regulação e pontos em aberto

O texto defende que a discussão sobre regras de visibilidade no ambiente digital, semelhantes às de outros meios, seja feita pelo poder público com a sociedade civil. Lula afirmou, após a apuração, que será preciso discutir a regulação das plataformas digitais no Brasil.

Empresas como a Meta já testam ferramentas que permitem ao usuário personalizar recomendações e ajustar contas de menores de idade, e o YouTube também realiza testes semelhantes. A coluna questiona se essas medidas serão suficientes diante de países que adotam regras mais rígidas.

Ainda não está claro como o Congresso tratará o tema nem quais diretrizes serão adotadas. O colunista sugere audiências públicas com especialistas, acadêmicos, empresas de tecnologia e sociedade civil como caminho para uma solução.