Em Columbus, capital de Ohio, o crescimento é visível no aeroporto, com ampliações para voos internacionais, e nos bairros, com novos prédios e moradores. A cidade está entre as que mais crescem nos Estados Unidos. A região conhecida como Cinturão da Ferrugem, marcada pelo declínio industrial, passa por uma recuperação gradual impulsionada pela tecnologia.

O principal motor é um investimento da Intel de mais de US$ 28 bilhões em duas fábricas de semicondutores na região metropolitana. A previsão é de 3 mil empregos na Intel e 7 mil na construção civil durante a obra, prevista para terminar em 2030. A empresa diz que pode erguer outras seis fábricas. A Anduril, do setor de defesa, também avança na construção de um complexo de manufatura na cidade.

A região passou a ser chamada de Coração de Silício, em referência ao Vale do Silício e ao Meio-Oeste. O avanço teve apoio federal iniciado no primeiro governo de Donald Trump e ampliado na gestão de Joe Biden. A Lei CHIPS e Ciência, de 2022, destinou US$ 7,8 bilhões em subsídios e empréstimos à Intel, incluindo cerca de US$ 1,5 bilhão para o complexo em Columbus.

Segundo o economista Mark Muro, do Instituto Brookings, Columbus subiu para a 46ª posição entre 100 regiões metropolitanas em crescimento de empregos na manufatura, ante a 70ª em 2022. Um representante sindical da construção disse que cerca de 60% das horas de trabalho da categoria já são dedicadas a data centers e fábricas de chips.

Pittsburgh, na Pensilvânia, também tenta se reinventar. A cidade perdeu força com o declínio da indústria do aço a partir dos anos 70, e a taxa de desemprego chegou a 17,1% em 1983. O renascimento começou nos anos 90, apoiado em saúde, serviços e universidades como a Carnegie Mellon, referência em computação, robótica e inteligência artificial.

Apesar do avanço, o polo tecnológico de Pittsburgh ainda está bem abaixo do Vale do Silício e de Boston. Os setores de serviços e saúde empregam mais que a tecnologia, e a população, de pouco mais de 300 mil habitantes, está longe dos mais de 600 mil dos anos 50. Especialistas afirmam que a nova produção deve exigir menos operários e mais mão de obra qualificada e automação.

A reportagem não detalha se o boom tecnológico vai de fato alterar o resultado das eleições legislativas nesses Estados, tema que dá título à análise original. Também não há dados sobre o impacto final dos empregos previstos nem sobre quantas dessas vagas beneficiarão moradores que já vivem na região.