Em um evento de mídia no Brooklyn, na véspera das eleições legislativas dos Estados Unidos, o tema que mais apareceu nas conversas não foi o pleito em si, mas a inteligência artificial e a instalação de data centers. O encontro foi promovido pela Newsreel, empresa de mídia fundada pelo ex-repórter Jack Brewster, e reuniu jornalistas, profissionais de tecnologia e defensores de políticas públicas.

Segundo um relatório da Data Center Watch, quase US$ 200 bilhões em projetos de data centers foram atrasados, paralisados ou bloqueados no primeiro semestre de 2026 por oposição política e de comunidades locais. Estados como Pensilvânia, Geórgia, Texas, Nova York e Virgínia discutem regras mais rígidas e maior transparência sobre a expansão dessas estruturas.

Contexto local e desconfiança

Durante os debates, moradores foram descritos como preocupados com acordos considerados sigilosos entre grandes empresas de tecnologia e autoridades locais. Em alguns casos, regras de zoneamento deixam incerto o que será construído até que seja tarde para protestar. Também foram citados riscos ambientais e de saúde pública.

Participantes disseram que a oposição combina essas preocupações com o custo de vida e a sensação de perda de controle sobre o destino das comunidades. Ao mesmo tempo, um painel lembrou que relatórios apontam muitos empregos na fase de construção, mas vagas que não se mantêm após a conclusão das obras. Sindicatos de alguns setores, por outro lado, apoiam os projetos pelas promessas de trabalho.

Brewster afirmou que a inteligência artificial se tornou tema eleitoral para eleitores comuns. Segundo ele, em áreas rurais a reação está ligada à sensação de substituição por máquinas, enquanto no Brooklyn a crítica se concentra em quem enriquece com a tecnologia.

Ainda não está claro quantas disputas serão de fato decididas por esse tema nem se as propostas estaduais de controle sobre data centers serão aprovadas. Também não há dados consolidados sobre quantos dos projetos bloqueados poderão ser retomados no futuro.