A economia dos Estados Unidos cresceu mais que o esperado no terceiro trimestre, enquanto a inflação acelerou em setembro. Os dados preliminares foram divulgados na quinta-feira pelo Departamento de Comércio, menos de uma semana antes das eleições de meio de mandato que definirão o controle do Congresso.
O Produto Interno Bruto (PIB) avançou a uma taxa anualizada de 3,4% no período. Economistas consultados pela Reuters esperavam alta de 3,2%. As estimativas variavam de 1% a 4,2%.
O resultado foi sustentado pelo consumo das famílias, que se manteve resistente, e pelos investimentos das empresas em inteligência artificial. Esses fatores compensaram o impacto dos preços mais altos do petróleo, consequência do conflito no Oriente Médio. O quadro contrasta com a percepção negativa dos consumidores sobre a economia, refletida na queda da aprovação de Donald Trump e na piora do sentimento do consumidor.
Na inflação, o índice PCE, medida preferida do Federal Reserve, subiu 0,5% em setembro, com taxa anualizada de 3,6%, ante 3,4% em agosto. O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, chegou a 3,1% ao ano. O índice de preços ao consumidor, medido pelo Departamento do Trabalho, também mostrou alta, de 3,4% em agosto para 3,7% em setembro.
Na quarta-feira, o Federal Reserve manteve a taxa básica de juros na faixa de 3,75% a 4%, reconhecendo que a inflação segue elevada. Economistas esperam uma alta de juros em dezembro. O presidente do banco central, Kevin Warsh, afirmou que a atividade econômica se expande em ritmo forte, apesar das incertezas geopolíticas.
Dúvidas sobre a força do crescimento
Parte dos economistas avalia que o crescimento forte pode não refletir com precisão a economia, já que os gastos com inteligência artificial ganham peso. Investidores acompanham o custo crescente de projetos de longo prazo em IA, cujo retorno é incerto. Empresas de tecnologia tomaram grandes volumes de crédito para financiar esses investimentos.
O consumo, que responde por mais de dois terços da economia, cresceu a 3,8% no trimestre, após alta de mesmo ritmo no segundo. Demissões historicamente baixas ajudam a sustentar as despesas, mas os salários nem sempre acompanham a inflação. As famílias também têm poupado menos e recorrido às reservas para manter o consumo.
Com a gasolina acima de US$ 4 por galão, cerca de US$ 1 a mais que um ano antes, e a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã em andamento, economistas projetam desaceleração do consumo. Pesquisas mostram que a aprovação de Trump na economia caiu nas semanas anteriores à eleição. O índice de confiança da Universidade de Michigan está 15% abaixo de fevereiro, antes do início da guerra.




