O principal índice da Bolsa brasileira, o Ibovespa, fechou nesta quarta-feira (28/10) em queda de 2,68%, aos 171.006 pontos. Foi a terceira baixa seguida desde o segundo turno das eleições.

Segundo a estrategista de ações da Nomad, Rebecca Nossig, o movimento refletiu forte aversão ao risco. Ela atribui a retração à repercussão de desdobramentos políticos no cenário doméstico e à postura defensiva dos investidores, que aguardavam definições macroeconômicas no exterior.

No setor financeiro, o foco esteve nos balanços do Santander, que liderou a cautela entre os bancos. As ações SANB11 caíram 5,88%, BBDC4 do Bradesco recuaram 6,68%, BBAS3 do Banco do Brasil perderam 3,39% e ITUB4 do Itaú Unibanco cederam 3,42%. A Vale (VALE3) também pesou, com queda de 2,57%. Os resultados de Hypera e Klabin também estiveram no radar dos investidores.

Dólar perto da estabilidade

No câmbio, o dólar comercial teve um dia volátil, com leve queda de 0,19%, vendido a R$ 5,34. Segundo Rebecca Nossig, o comportamento refletiu ajustes e tentativas de proteção de patrimônio, com os agentes divididos entre o noticiário local e os desdobramentos nos Estados Unidos.

O Federal Reserve, banco central americano, manteve a taxa de juros entre 3,75% e 4% ao ano. A decisão já era esperada pelo mercado e enfraqueceu a moeda americana frente a outras divisas. Segundo a economista-chefe da InvestSmart XP, Mônica Araújo, dois membros do comitê votaram por aumentar os juros, o que mostra que a decisão não foi unânime.

Em Wall Street, o cenário foi oposto. O Dow Jones subiu 0,25%, o S&P 500 avançou 0,28% e o Nasdaq ganhou 0,32%. Para Rebecca Nossig, a previsibilidade do Fed ajudou a sustentar o apetite por ações no exterior, em contraste com a pressão vendedora na Bolsa brasileira.

Ainda não está claro até quando deve durar a pressão sobre a Bolsa brasileira. O mercado segue atento aos balanços das empresas e aos desdobramentos políticos no país.