Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas da consultoria Eurasia, afirma não ver novas retaliações do governo Donald Trump ao Brasil após a viagem de Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos. Derrotado na eleição presidencial, o senador chegou a se declarar presidente do país. Segundo Garman, a viagem pode estressar a relação bilateral, mas o equilíbrio deve se manter.
Para o analista, a leitura das falas recentes de Trump é que ele registra as queixas de Bolsonaro, mas segue sem tomar partido na eleição brasileira. Garman diz que há, no Departamento de Estado, diplomatas com postura contrária ao Brasil, que defenderam sanções e tarifas. Frustrado por não ter conseguido tirar Jair Bolsonaro das dificuldades jurídicas, Trump abriu espaço para uma relação pessoal com Lula, iniciada em encontro na ONU pouco mais de um ano antes.
Negociação tarifária
Na avaliação de Garman, é difícil retirar as tarifas sem alguma contrapartida do Brasil. Ele afirma que o governo brasileiro não demonstra disposição para atender às exigências feitas pelos americanos. Mesmo com um diálogo mais aberto entre os dois presidentes, o preço da retirada segue alto.
O analista prevê que Lula e Trump devem se encontrar após a eleição e iniciar um processo de negociação. Ainda assim, não espera uma redução rápida das tarifas. Sobre novas medidas punitivas, ele considera possível a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, mas acredita que a escalada tende a ser modesta.
Nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, as projeções apontam possível vitória dos democratas na Câmara e no Senado. Segundo Garman, esse cenário limitaria novas tarifas que pudessem ser questionadas pelo Congresso, sem alterar muito a relação com o Brasil.
Ajuste fiscal
No plano interno, Garman afirma que o governo Lula reconhece a necessidade de corrigir as regras fiscais para dar ao Banco Central condições de reduzir os juros. O debate gira em torno do alcance dessa mudança, com foco em desacelerar o avanço do gasto obrigatório e encaixá-lo no limite de 2,5%. Ele considera mais crível que o ajuste seja feito por emenda constitucional, por sinalizar controle de gastos futuros, e vê baixo risco de aperto fiscal no próximo ano.
Ainda não se sabe se haverá novas sanções contra autoridades brasileiras, quando as negociações tarifárias avançarão e qual será o desenho final do ajuste fiscal. Também depende do resultado das urnas nos Estados Unidos o grau de liberdade que Trump terá para ampliar tarifas.




