O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, manteve nesta quarta-feira, 28, a taxa básica de juros na faixa entre 3,75% e 4,00% ao ano. A decisão era amplamente esperada por analistas consultados pelo Estadão/Broadcast.
Apesar da pausa, o comunicado do Fed foi lido como mais duro. Analistas notaram que a descrição da atividade econômica passou de ritmo sólido para ritmo forte, sinal interpretado como alerta para possíveis efeitos sobre a inflação. Também foi alterado o trecho sobre a elevação dos juros, que deixou de indicar um retorno mais rápido da inflação à meta de 2%.
A inflação nos Estados Unidos está há meses acima da meta. Economistas afirmam que a força da atividade e o nível atual dos índices de preços pediriam um aumento de 0,50 ponto percentual nos juros, dividido em duas etapas. A primeira, segundo as chances calculadas pela ferramenta FedWatch, do CME Group, deve ocorrer em dezembro.
Próximos passos
Parte dos economistas prevê uma segunda alta em março. Outros projetam o segundo aumento de 0,25 ponto percentual apenas no primeiro trimestre de 2027. A leitura predominante é que o Fed busca retirar o estímulo concedido em 2025 e tornar a política monetária mais restritiva.
A votação teve placar de 10 a 2. A governadora Lisa Cook e a presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, defenderam alta de 0,25 ponto percentual. Cook foi considerada surpresa, já que era vista como centrista. Os dirigentes Neel Kashkari e Lorie Logan, tidos como da ala mais dura, acompanharam a manutenção.
Ainda não está definido se haverá mais aumentos além dos previstos. Analistas dizem que a resposta depende dos comentários dos dirigentes sobre o grau de restrição da política, e não apenas de dados pontuais de inflação. O Fed também anunciou um novo calendário de reuniões a partir de 2027, com menos encontros para decisões de juros, o que pode reduzir as sinalizações ao mercado.




