Instituições financeiras reduziram suas recomendações para ativos brasileiros nas sessões seguintes à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Citi, BCA Research, Bradesco BBI e Morgan Stanley estão entre as casas que revisaram suas estratégias para o mercado do país.

O movimento veio depois de forte queda dos ativos locais. O Ibovespa teve sua maior perda diária desde a pandemia, de 13,88%, e o dólar subiu 8,2% frente ao real. Para os estrategistas, o resultado eleitoral reduz a chance de uma política econômica mais ortodoxa e aumenta as dúvidas sobre as contas públicas.

O Citi encerrou a recomendação de sobrepeso para o Brasil e retirou sua posição comprada no real. A BCA Research rebaixou ações brasileiras para abaixo da média, e fez movimento semelhante em títulos públicos e crédito soberano. O banco citou crescimento mais fraco, pressão inflacionária e piora da dívida pública.

O Morgan Stanley reduziu a recomendação para ações do país de sobrepeso para neutra, na carteira latino-americana, mas evitou classificar o Brasil como abaixo da média. O banco avalia que o peso de exportadoras e grandes bancos deve limitar uma piora mais forte dos lucros. Já o Bradesco BBI passou para neutro, por considerar que boa parte da alta dos ativos ocorreu antes da eleição.

Exportadoras ganham espaço nas carteiras

Os estrategistas buscam proteção em empresas menos dependentes da economia doméstica. O Morgan Stanley aumentou posições em Vale, Embraer e JBS, e voltou a incluir Suzano na carteira modelo. Segundo o banco, essas companhias tendem a se beneficiar de um real mais desvalorizado e estão mais ligadas ao ciclo global de commodities.

No mesmo caminho, o Bradesco BBI retirou nomes que se beneficiavam da expectativa de queda dos juros, como Banco do Brasil, Petrobras, B3, Equatorial e Cyrela. Entrou com papéis como Sabesp, WEG, Embraer, Suzano e Cury.

Os relatórios também mostram cautela com empresas ligadas a mercado de capitais, crédito e consumo. O Morgan Stanley reduziu posições em B3, BTG Pactual, XP, Nubank e Mercado Livre. O Bradesco BBI projeta desaceleração do PIB em 2027, alta do desemprego e menor crescimento do crédito.

Nenhuma das instituições defende saída completa dos ativos brasileiros. A avaliação é que o mercado exigirá mais seletividade. Uma melhora da percepção fiscal, uma queda mais profunda dos preços ou um ciclo mais intenso de corte de juros poderiam levar a uma reavaliação positiva. Ainda não está claro quando isso poderá ocorrer.