Poucas horas depois de o TSE confirmar a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente apareceu em pé sobre um GWM Haval H6 preto, ano 2025, rumo à avenida Paulista, em São Paulo. Ele segurava um megafone e tinha parte do corpo para fora do teto solar. O veículo é de origem chinesa e foi montado em Iracemápolis, no interior paulista, em uma linha de produção que antes pertencia à Mercedes-Benz.
A cena ilustra a mudança no perfil dos carros oficiais. Até o início da década, os veículos usados pelas autoridades em Brasília eram de marcas presentes no país havia décadas. Lula sempre usou modelos importados, mas trazidos por empresas com fábricas no Brasil e ligadas à Anfavea. Agora, GWM e BYD não fazem parte da associação das montadoras.
Expansão das chinesas
As marcas chinesas avançaram de anúncios de produção local para volumes expressivos de vendas. Segundo a coluna, a BYD trouxe 76,7 mil veículos ao Brasil em 2024. Entre janeiro e setembro deste ano, a empresa já tinha emplacado 169,1 mil unidades no país. A montadora pretende dobrar a capacidade da fábrica de Camaçari, na Bahia, para 600 mil carros por ano, e elevar o índice de nacionalização em 2027.
A GWM também tem planos. Uma segunda fábrica está confirmada em Aracruz, no Espírito Santo, e a empresa prevê investimentos de R$ 10 bilhões até 2032.
O cenário contrasta com o período em que o governo de Juscelino Kubitschek incentivou o uso de carros nacionais, com o Grupo Executivo da Indústria Automobilística. Na época, a Volkswagen era o principal símbolo da indústria no país. Lula também percorreu a fábrica da montadora alemã em São Bernardo do Campo em diferentes momentos, a última vez em fevereiro de 2024.
Cabe ao GSI aprovar ou escolher os carros que transportam o presidente. Nos comboios, modelos da chinesa Chery também aparecem. O texto indica que novos veículos de montadoras chinesas devem seguir na comitiva ao longo do quarto mandato de Lula, mas não detalha quais marcas ou modelos serão usados.




