O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kássio Nunes Marques, afirmou que a Corte cumpriu integralmente a decisão do Supremo Tribunal Federal que adiou o fechamento das urnas no segundo turno. Por determinação do ministro Cristiano Zanin, a votação, que terminaria às 17h, foi estendida até as 19h em todo o país no domingo, 25.

Segundo Nunes Marques, a prorrogação não alterou o resultado. Ele disse ter absoluta segurança sobre todo o processo eleitoral e afirmou que a totalização e a divulgação dos dados ocorreram logo após o encerramento da votação.

O TSE confirmou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, com 51,78% dos votos válidos. O senador Flávio Bolsonaro, do PL, obteve 48,22%. O petista superou 64 milhões de votos, marca recorde em eleições presidenciais, acima dos 60,3 milhões recebidos em 2022 no segundo turno contra Jair Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro não reconheceu o resultado e disse que pedirá a anulação ao TSE. Ele questionou a decisão de Zanin que prorrogou a votação e afirmou que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre. Essas acusações ainda não foram comprovadas.

Judicialização

Nunes Marques declarou que as eleições brasileiras tiveram um grau elevado de judicialização. Segundo ele, o TSE recebeu 2.265 processos referentes às eleições de 2026, entre eles 827 representações e 446 pedidos de direito de resposta.

O presidente do tribunal criticou o que chamou de hiperjudicialização da disputa política e disse que ela afeta o tempo de resposta da Justiça Eleitoral, pois cada caso exige análise técnica e fundamentação. Ele afirmou que a Corte buscará racionalizar fluxos e aperfeiçoar procedimentos para próximos ciclos.

Nunes Marques não respondeu a perguntas de jornalistas. Estavam na mesa o presidente do STF, Edson Fachin, e os ministros André Mendonça e Dias Toffoli, mas nenhum deles se manifestou. Ainda não há data para análise dos pedidos de anulação apresentados pela campanha de Flávio Bolsonaro.