A anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro deve virar uma disputa política nos próximos meses. Após a vitória de Lula, o bolsonarismo vê como essencial conseguir que o assunto entre na pauta do Congresso.

Não há garantia de que o tema avance logo no início da próxima legislatura. O PL deve ter 121 deputados federais e 28 senadores, o que dá à bancada de direita um peso grande. Pesquisas como as do Quaest e do Datafolha, porém, registram mais rejeição do que aprovação popular à medida.

O centrão pode usar esses números como justificativa para não se mover. Os partidos do bloco encolheram em 2026 e, segundo a análise, não têm interesse em fortalecer ainda mais a direita.

Debate sobre o STF e discursos

Discussões sobre o impeachment de ministros do Supremo, especialmente de Alexandre de Moraes, devem ganhar espaço no Senado. As decisões dele à frente do inquérito das fake news e como relator de ações penais ligadas ao caso serão alvo de críticas. Haverá também muitos discursos favoráveis à anistia, que podem preparar uma ação no Congresso.

O texto de opinião sustenta que a história brasileira não confirma a ideia de que anistias pacificam o país. Ele cita a anistia pedida por Juscelino Kubitschek em 1956 após a Revolta de Jacareacanga, quando rebeldes perdoados voltaram a se rebelar anos depois, e a anistia de 1979, que, segundo o autor, permitiu que defensores da ditadura seguissem propagando suas ideias.

Para o autor, o risco imediato está em reescrever a história e legitimar a ideia de que atentados à democracia não devem ser condenados. Ele também cita declarações do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que reconheceu tratativas sobre um golpe em 2022, mas minimizou o episódio por não ter havido consumação.

Ainda não está claro se haverá apoio suficiente no Congresso para qualquer proposta de anistia nem como o tema vai se desenrolar até a próxima legislatura. A disputa deve começar nos próximos meses e, segundo a análise, dificilmente será evitada.