A votação deste domingo (25) foi prorrogada por decisão monocrática do ministro do STF Cristiano Zanin, que determinou que as urnas ficassem abertas até as 19h em todo o país. O pedido partiu da campanha de Lula (PT), depois de relatos de falta de transporte público em algumas cidades. A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) também havia recorrido ao TSE para estender o horário em outras localidades.
A decisão chegou tarde. Em muitos locais, a informação sobre a extensão só alcançou as seções após as 17h, quando as urnas já haviam sido encerradas e os boletins impressos. Há relatos de eleitores que chegaram às escolas depois desse horário e não conseguiram votar. Diante da confusão, Zanin esclareceu que as urnas já fechadas permaneceriam assim, e que apenas as seções ainda abertas deveriam respeitar o novo horário. O TSE apura os locais em que isso ocorreu.
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou que a prorrogação não causou problemas na totalização dos votos e que não houve alteração no resultado. Lula foi confirmado como vencedor. Mesmo assim, integrantes do PL, como o deputado Nikolas Ferreira (MG), disseram que o partido questionaria o resultado caso Flávio perdesse. Já a campanha petista acusou prefeitos de dificultar o transporte e pediu providências em São Paulo.
O Ministério da Justiça identificou falhas na oferta de transporte para eleitores em sete estados: Bahia, São Paulo, Piauí, Sergipe, Pará, Alagoas e Rio de Janeiro. Segundo a campanha do PL, o pedido de prorrogação em São Paulo, Paraná e Santa Catarina se baseou em chuvas e deslizamentos. Ministros do TSE e do STF ouvidos pela Folha avaliam que as duas cortes cometeram erros ao lidar com o pedido e esperam contestações da campanha derrotada.
Especialistas ouvidos pela Folha apontam que a decisão tomada quando algumas urnas já estavam fechadas pode levar a pedidos de anulação da votação do segundo turno. Ministros aliados a Zanin afirmam, porém, que não há base para anular a eleição, já que a Constituição fixa as datas do pleito. O TSE ainda não informou quantas seções foram afetadas nem quantos eleitores ficaram sem votar.




