O ex-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro deixou o Brasil logo após decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou a entrega de seus passaportes. O plano de saída ainda não é conhecido em detalhes. A movimentação foi tratada pelo jornal O Globo, em coluna de opinião, como fato que altera o cenário da direita após a eleição vencida por Lula.

Segundo a coluna, a Polícia Federal pediu a medida preventiva com base em três pontos. O primeiro é que Willer Tomaz, amigo e provável sócio de Flávio, investigado no mesmo inquérito, já está na Flórida. O segundo é o envio de valultosas quantias aos Estados Unidos pelo ex-candidato, ainda sem explicação. O terceiro é uma declaração de Eduardo Bolsonaro, já foragido, de que Flávio deveria se juntar a ele caso perdesse a eleição.

O texto ressalta que a decisão foi tomada sem consulta prévia ao Ministério Público e que Flávio não havia sido indiciado. A coincidência com o período eleitoral também é apontada como um dos pontos de questionamento sobre o caso.

Resultado da eleição

A eleição foi acompanhada por observadores internacionais e reconhecida por todos os partidos, segundo a coluna. O resultado foi proclamado pelo presidente da Justiça Eleitoral, Kassio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro. O PL elegeu bancadas recordes e o maior número de governadores do país.

Para o colunista, a saída de Flávio deixa uma lacuna de liderança na direita. Ele cita a atuação de Tarcísio de Freitas, que se afastou da cena em que Flávio se recusou a reconhecer a vitória de Lula e depois publicou vídeo defendendo uma oposição responsável. Michelle Bolsonaro, madrasta de Flávio, também aparece como nome que pode disputar espaço.

Ainda não se sabe o destino de Flávio nem se ele pretende retornar ao país. Também não está definido qual projeto a direita apresentará após a derrota nas urnas, nem quem assumirá a condução do grupo.