Nesta terça-feira, 27, o presidente nacional do PCO, Rui Costa Pimenta, classificou como perseguição política o cerco judicial contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). A declaração veio depois de o parlamentar deixar o país rumo aos Estados Unidos e de se tornar alvo de ações do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo Pimenta, a ofensiva não tem relação com a defesa das instituições democráticas, mas com o peso político do grupo do senador. Ele afirmou que Flávio teve quase 60 milhões de votos e que sua bancada no Senado e no Congresso poderia levar ao impeachment de ministros da Corte. Para o dirigente, o caso é "um jogo de poder".
O partido também questionou a rapidez das decisões. Segundo o PCO, a Polícia Federal pediu a apreensão do passaporte do senador e Moraes autorizou o pedido na mesma noite. A legenda citou ainda supostos contratos da esposa do ministro, que somariam mais de R$ 200 milhões, com empresas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e disse que isso fragiliza a legitimidade da Corte para julgar casos de corrupção. Esses dados são apresentados pelo partido e não foram confirmados pelas fontes desta reportagem.
Histórico de oposição ao Judiciário
O posicionamento é coerente com a longa oposição do PCO ao modelo atual do Poder Judiciário. A legenda, que se declara marxista e trotskista, afirma não defender o fim do STF por meio violento ou terrorista. Defende, no entanto, a extinção da Corte como tribunal constitucional por meio de uma Assembleia Nacional Constituinte, argumentando que o Judiciário não é eleito pelo povo.
Rui Costa Pimenta comanda o partido desde 1995. Ele participou da fundação do PT, em 1980, e integrou a tendência Causa Operária até 1992, quando o grupo deixou o partido para criar a própria sigla. Desde então, o PCO mantém oposição radical ao funcionamento das instituições estatais sob o capitalismo.
As fontes não informam se há outras medidas judiciais contra o senador além da apreensão do passaporte. Também não trazem resposta de Moraes ou do STF às acusações do partido, nem comprovação dos contratos citados pela legenda.




