O primeiro-ministro da Bélgica, Bart De Wever, deve se reunir com o rei Philippe nesta segunda-feira (2) para oferecer sua renúncia. A coalizão de governo está à beira do colapso em meio às tentativas de fechar um buraco orçamentário de € 10 bilhões.

Dirigentes dos cinco partidos que formam o governo se reuniram durante o fim de semana em uma tentativa de última hora de fechar o orçamento do próximo ano. Eles deixaram a mesa sem acordo na madrugada de segunda-feira. A terça-feira era vista, extraoficialmente, como o prazo final para um entendimento, já que o orçamento ainda precisa passar pelo Parlamento até o fim do ano.

Impasse sobre impostos

As negociações se arrastam há semanas. As maiores tensões ocorrem entre o Forward, partido socialista flamengo, e o Movimento Reformista, de centro-direita e base francófona. O Forward pede mais contribuições das faixas de renda mais altas, por meio de impostos. O Movimento Reformista rejeita essa proposta e se opõe a uma reforma mais ampla do imposto sobre valor agregado.

Ao deixar a mesa, David Clarinval, vice-primeiro-ministro pelo Movimento Reformista, disse a jornalistas que ainda havia impostos demais em discussão. Ele não descartou a retomada das conversas nesta segunda-feira.

De Wever queria mostrar aos mercados financeiros que a Bélgica está no caminho para cumprir suas obrigações europeias. O país registrou déficit de 5,2% do PIB em 2025, e a expectativa é que o número suba no ano seguinte. Ele também descartou iniciar o novo ano com um orçamento provisório, que manteria as regras do exercício anterior.

O cenário não é inédito. No ano passado, as negociações orçamentárias também se estenderam além do prazo, e De Wever fixou uma data limite após uma reunião com o rei Philippe.

Não se sabe se haverá acordo nos próximos dias, nem se a renúncia será aceita. Caso a Bélgica seja levada a eleições antecipadas, o cenário pode favorecer partidos extremistas, já que a extrema direita do Vlaams Belang e a extrema esquerda do Partido do Trabalho aparecem bem nas pesquisas.