O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o segundo turno com ampla vantagem sobre Flávio Bolsonaro (PL). Ele havia ficado atrás do adversário na primeira rodada. Segundo editorial da Folha de S.Paulo, a votação sólida, porém, não deve garantir ao presidente um caminho fácil no Congresso Nacional.

A avaliação do jornal é que o Legislativo deve ser hostil ao governo. Os blocos de oposição tendem a crescer na Câmara dos Deputados e no Senado, com a expansão do PL, que tem as maiores bancadas nas duas Casas.

Pressão sobre o STF e as emendas

O texto afirma que propostas de emenda à Constituição dificilmente avançarão sem negociação, sobretudo na área econômica. Indicações de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) também devem encontrar resistência de senadores do PL e do Novo, que somam votos suficientes para barrar a nomeação quando comparados ao número necessário para derrubá-la.

Para o editorial, o cenário pode ser negativo se a oposição decidir apenas bloquear o governo. A expectativa é de que um contraste de forças leve a pautas mais moderadas e a nomes mais consensuais para cargos que dependem de aval do Senado.

Centrão busca espaço no governo

Movimentações para formar alianças já começaram. Partidos do centrão perderam espaço com o crescimento do PL nesta eleição e buscam influência ao lado do Executivo. Siglas como PP, Republicanos e União Brasil argumentam que, por não terem apoiado Flávio no primeiro turno, podem entrar no governo desde o início. Elas negociam o controle de alguns ministérios.

A Folha considera natural que partidos da base governista recebam o comando de políticas públicas. Por outro lado, o jornal cobra cautela. Para o editorial, é um mau sinal que o presidente condicione espaço nos ministérios à fidelidade às pautas do governo, o que contraria a ideia de um Executivo aberto ao debate.

Ainda não está definido quais ministérios serão entregues e quais partidos assumirão cada pasta. As próximas semanas devem mostrar se as negociações avançam e como o governo vai lidar com uma base de oposição mais numerosa.