Os Estados Unidos pediram que o comércio de alimentos não seja usado como instrumento de coerção econômica ou política. A posição foi apresentada no sábado, ao fim de dois dias de conversas entre os ministros de Relações Exteriores do G20 em Atlanta, que não chegaram a um consenso.

Segundo declaração publicada pela presidência americana do G20, a preocupação está ligada a ataques contra rotas marítimas que afetam o transporte de combustíveis, fertilizantes e produtos agrícolas. O secretário de Estado Marco Rubio reforçou o recado, mas admitiu que os países do grupo ainda não definiram uma forma conjunta de enfrentar o problema.

Rubio disse que há concordância sobre o objetivo e sobre a gravidade da questão, mas afirmou não poder dizer que os países estejam alinhados sobre como resolvê-la. Ele citou um reconhecimento generalizado de temas como liberdade de navegação, cadeias de suprimento de minerais críticos e segurança alimentar.

Contexto das guerras

As conversas ocorreram com as guerras no Irã e na Ucrânia ao fundo. Os preços mundiais de energia subiram desde que Teerã bloqueou o estreito de Ormuz, uma rota essencial para o transporte de petróleo, em resposta a ataques de Estados Unidos e Israel no fim de fevereiro.

A cúpula do G20 está prevista para meados de dezembro no complexo Doral, do presidente Donald Trump. Até agora, não há sinal de consenso para a reunião.

Rubio afirmou em entrevista coletiva que Trump ainda não tomou uma decisão sobre novos ataques, em meio ao risco de nova escalada no Oriente Médio.

Não está claro se o grupo conseguirá transformar o reconhecimento do problema em medidas comuns, nem quais países aceitariam limites ao uso de alimentos em disputas políticas.