A vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos não deve alterar a postura da Casa Branca em relação ao Brasil, segundo analistas ouvidos pela BBC News Brasil. Com a apuração ainda em andamento em alguns estados, os democratas devem controlar a Câmara dos Representantes, com 237 cadeiras contra 139 dos republicanos até o momento, e o Senado, com 54 contra 44.
A mudança passa a valer em 3 de janeiro de 2027. Hoje, os republicanos têm maioria nas duas Casas, o que vinha permitindo ao presidente Donald Trump governar com poucas limitações do Legislativo. No Mississippi e no Alasca, a disputa segue acirrada, com a democrata Mary Peltola à frente do republicano Dan Sullivan por 625 votos, com 77% das seções apuradas.
Segundo os analistas, o Congresso não tem competência institucional para interferir na política externa. Por isso, as tarifas impostas aos produtos brasileiros, a pressão para que o país se afaste da China e a classificação do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas devem continuar. Essa classificação abriu espaço para possíveis incursões militares dos EUA em território nacional.
Os entrevistados afirmam que o Congresso deve fazer mais pedidos de esclarecimento ao Departamento de Estado, comandado por Marco Rubio, e que comissões de Relações Exteriores podem passar a ser presididas por democratas. Um dos temas mencionados é a presença de Flávio Bolsonaro na Flórida, que Rubio negou ter sido facilitada pelo governo Trump.
Tarifas e sanções dependem do Executivo
Os analistas avaliam que medidas como a tarifa de 25% aplicada a partir da Seção 301 e a Lei Magnitsky são instrumentos do Executivo e não podem ser revertidas facilmente pelo Congresso. Em julho do ano passado, Trump incluiu o ministro Alexandre de Moraes na lista da Lei Magnitsky, e depois a esposa dele. Em dezembro, ambos foram retirados, mas há relatos de que o nome do ministro pode voltar.
Mesmo que o Legislativo aprovasse mudanças, o presidente poderia vetá-las. Para derrubar um veto, seria preciso maioria de dois terços nas duas Casas, o que exigiria acordos com os republicanos. Especialistas também apontam que o protecionismo em setores como aço e alumínio é tradição de ambos os partidos.
Um dos pontos ainda sem definição é se os democratas usarão o novo poder para pressionar sobre a agenda externa. Analistas lembram que, historicamente, presidentes que perdem o controle do Legislativo tendem a dar mais atenção à política internacional, o que poderia intensificar a pressão sobre o Brasil.




