A vitória dos democratas nas eleições legislativas dos Estados Unidos, segundo análise publicada pela Foreign Policy, mostrou que os eleitores levaram em conta a política externa. O vice-presidente J.D. Vance, do Partido Republicano, afirmou nas redes sociais que a derrota teve como causa a guerra, segundo o texto.

A guerra contra o Irã, conduzida pelos Estados Unidos com Israel, é apontada pelo colunista Howard W. French como o principal fator da eleição. O conflito fez subir os preços de gasolina e diesel nos EUA, acelerou a inflação e elevou os juros, o que afetou dezenas de milhões de americanos. Para o autor, os eleitores sabiam a origem do problema.

O texto afirma que a guerra não alcançou os objetivos declarados. O regime iraniano seguiu de pé, Teerã manteve influência regional e continua a controlar o fornecimento de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Aliados houthis do Irã também atacaram a Arábia Saudita e outros parceiros árabes dos EUA.

Segundo o colunista, o conflito também consumiu grande parte de munições caras e avançadas, o que enfraqueceu a postura militar americana na Ásia e na Europa. Taiwan e as ilhas disputadas entre China e Japão ficaram mais vulneráveis, e a Ucrânia perdeu acesso a sistemas de defesa de que precisa contra ataques russos.

Com a derrota nas urnas, o presidente Donald Trump tende a perder força para aprovar leis internas, o que deve deslocar a disputa com o Congresso para a política externa. A análise diz que o principal objetivo dos democratas será encerrar o conflito com o Irã, usando o controle do orçamento para impedir o financiamento da guerra.

O texto cita ainda críticas a outras frentes, como a postura dos EUA diante da guerra na Ucrânia, a operação na Venezuela e as relações com aliados como Canadá, Japão e Coreia do Sul. Também defende que o Congresso cobre do governo mais transparência sobre a política em relação a Israel, incluindo a campanha em Gaza e a situação na Cisjordânia.

Ainda não está claro como o Congresso vai conduzir essas cobranças nem se os democratas conseguirão limitar a guerra antes de um acordo ou de novas ações militares. O texto é uma análise de opinião de um colunista, e não um relato oficial sobre decisões já tomadas pelo Congresso.