Rússia e China podem se tornar mais agressivas nos próximos dois anos caso concluam que o presidente Donald Trump está politicamente enfraquecido, segundo Robert Kagan, pesquisador sênior do think tank Brookings Institution. A avaliação foi dada à CNBC após os democratas conquistarem o controle das duas casas do Congresso dos Estados Unidos.

Kagan afirmou que a guerra com o Irã expôs limitações militares de Washington, sobretudo na capacidade de defesa. Segundo ele, os estoques de interceptadores e mísseis estão esgotados, o que é especialmente relevante na Ásia.

Relatórios do Escritório de Orçamento do Congresso americano estimam que o conflito consumiu até dois terços dos interceptadores de defesa antimísseis dos EUA desde junho de 2025, em grande parte por ações para proteger Israel de ataques iranianos. Isso pode deixar o país com estoques restritos por vários anos.

Kagan também disse que o envio de três porta-aviões americanos ao Oriente Médio reduziu a presença naval dos EUA na Ásia, o que pode dar mais margem para a China agir na região. Para ele, o interesse atual de Trump é fechar acordos econômicos com Pequim, e não enfrentá-la.

O tema também envolve Taiwan. Em dezembro, Trump aprovou um pacote de armas de US$ 11 bilhões para a ilha, mas segurou um segundo pacote, de cerca de US$ 14 bilhões, descrito por ele como uma moeda de troca nas negociações com a China. A China considera Taiwan parte de seu território. Os EUA não têm tratado de defesa mútua com a ilha, mas a lei americana exige que o país forneça meios para ela se defender.

Cúpula em discussão

As declarações ocorrem enquanto EUA, China e Rússia discutem uma possível cúpula trilateral entre Trump, Xi Jinping e Vladimir Putin à margem da reunião de líderes da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), em Shenzhen, prevista para o fim do mês. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, afirmou que Pequim mantém contatos com as partes envolvidas, mas nenhuma pauta foi anunciada. Putin teria sugerido o encontro em outubro para discutir o fim da guerra na Ucrânia, sem a presença do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Ainda não está claro se a cúpula será confirmada, quais temas seriam tratados nem se a reunião levaria a algum entendimento sobre a Ucrânia ou sobre Taiwan.