Em 28 de outubro de 2025, a megaoperação Contenção deixou 122 mortos, entre suspeitos e policiais, nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro. Um ano depois, o fotógrafo Bruno Itan, que trabalha para a Defensoria Pública, afirma que ainda não entende qual objetivo foi alcançado pela ação.
Nascido em Recife e criado no Complexo do Alemão, Itan diz que começou a fotografar em um curso oferecido pelo governo federal na comunidade. Hoje coordena o projeto Olhar Complexo, que desde 2016 aproxima crianças e jovens da fotografia em favelas cariocas, com foco no cotidiano além dos confrontos entre policiais e traficantes.
Relato do dia da operação
Segundo ele, moradores já falavam na movimentação antes do amanhecer. Por volta das 5h, começaram os tiros. Itan diz que percebeu a grande quantidade de policiais e que corpos começaram a chegar ao Hospital Getúlio Vargas. Ele seguiu para o Complexo da Penha e registrou a ação até o anoitecer, quando a área ficou sem energia.
Os corpos foram levados enfileirados para a Praça São Lucas, na Vila Cruzeiro. Itan publicou um vídeo do local e, depois, outros jornalistas chegaram. Ele afirma ter visto, na mata entre o Alemão e a Penha, corpos com sinais de tortura.
Um ano depois
Para o fotógrafo, o crime organizado voltou a montar barricadas e a vender drogas no mesmo dia da operação, e não houve recuo territorial. Ele critica a política de enfrentamento e diz que a população apoiou a ação no momento, na expectativa de mudança, mas hoje sente frustração com os mesmos problemas.
Itan também relata que a operação foi usada em disputas eleitorais. Ele cita o chefe da Polícia Civil, Felipe Curi, que usou os números de mortos em uma candidatura a deputado federal. Não há, nas informações disponíveis, detalhes sobre investigações em andamento sobre as mortes ou sobre a apuração das denúncias de tortura.




