A Ucrânia concluiu a parte que lhe cabia no Freyja, um escudo antibalístico multinacional que a Europa e Kyiv tentam finalizar com urgência. A informação foi dada pelo presidente Volodymyr Zelenskyy, que atribuiu aos países parceiros e às suas empresas de defesa a tarefa de desenvolver os componentes restantes a tempo de realizar os primeiros testes até o fim do ano.
A empresa ucraniana Fire Point lidera o projeto e fabrica o interceptador FP-7.X e seu lançador. Empresas de outros países, como a norueguesa Kongsberg e a alemã Diehl Defence, desenvolvem as peças que detectam, rastreiam e guiam o míssil até o alvo. Segundo Zelenskyy, são dez países participantes, e alguns ainda estão em processo de entrega.
O projeto ganha importância porque a Ucrânia tem menos interceptadores Patriot, caros e de entrega lenta, e a Rússia usa armas mais rápidas, como drones a jato Shahed. Segundo a presidência ucraniana, a Rússia disparou mais de 100 mísseis balísticos contra Kyiv e a região em duas semanas. A Organização das Nações Unidas informou que as mortes de civis entre janeiro e setembro foram 59% maiores que no ano anterior.
O Freyja foi concebido para reduzir a dependência ucraniana do Patriot e dar à Europa capacidade própria contra mísseis balísticos. A coalizão foi oficializada em Paris, em 13 de julho, com a Ucrânia e nove países europeus. A Polônia entrou em setembro, e o Canadá disse estar pronto para contribuir com tecnologias.
A etapa mais complexa é a integração de radares, buscadores e sistemas de controle de tiro europeus ao interceptador ucraniano. Segundo a diretora-executiva da Fire Point, Iryna Terekh, o buscador é o principal gargalo, enquanto o restante da produção já estaria pronto para escala. A primeira versão deverá usar uma ogiva de fragmentação, e uma versão de impacto direto virá depois.
A empresa pretende produzir pelo menos 2.000 interceptadores por ano, com custo abaixo de 1 milhão de euros cada, mas a redução de preço deve ocorrer apenas na produção em série. O cofundador Denys Shtilerman afirmou que, se os governos europeus avançarem rapidamente, os interceptadores poderiam ser fabricados até o fim do ano, com uso em combate previsto para julho.
Ainda não há data confirmada para os testes, e o cronograma depende da velocidade dos parceiros europeus. Reunidos em Oslo, Zelenskyy, o ministro da Defesa da Noruega, Tore Sandvik, e o presidente da Kongsberg, Eirik Lie, indicaram pontos a acelerar para iniciar os testes ainda neste ano.




