Na Rússia, a guerra deixou de ser um ruído distante e passou a aparecer na rotina. Há longas filas para abastecer, incêndios em depósitos e ataques com drones em áreas próximas a Moscou. Mesmo assim, a maioria evita reclamar em público, por lealdade, medo ou hábito, e muitos minimizam os problemas com a frase de que tudo está bem.

Em localidades perto da capital, como Sofino, ataques com drones provocaram incêndios em zonas industriais e danos a conjuntos residenciais, com mortes registradas. O preço da gasolina subiu a um patamar considerado muito alto pelos padrões russos, segundo a reportagem. Alguns motoristas, porém, dizem que a escassez é exagerada.

Resignação e apoio ao governo

A reação da sociedade é, em grande medida, de resignação. Segundo a reportagem, o medo de represálias e o conformismo estimulados por um governo repressivo levam muitas pessoas a não expressar descontentamento. A maioria sente que tem tanta influência sobre a política quanto sobre o clima.

Há também quem apoie o presidente Vladimir Putin e veja nos ataques um fator de união nacional. A propaganda estatal e a experiência de atravessar crises históricas ajudam a explicar essa postura.

Estratégia ucraniana e opinião pública

A estratégia da Ucrânia de atingir infraestruturas econômicas e militares busca fazer os russos sentirem o peso da guerra e pressionar pelo fim do conflito. Até agora, porém, a medida não provocou mudança drástica na vida cotidiana nem na postura geral da população. Os ataques politizaram alguns setores, mas tenderam a aumentar a hostilidade contra a Ucrânia e seus aliados ocidentais, mais do que a irritação com o próprio governo russo.

Uma pesquisa do Centro Levada, realizada no mês anterior, mostrou que quase 60% dos russos prestam pouca ou nenhuma atenção aos combates, o nível mais alto já registrado. Seis em cada dez disseram que o país segue no rumo certo, um avanço de 10 pontos percentuais em relação a junho.

Limites dos dados

A confiabilidade de pesquisas em um ambiente autocrático é limitada. Ainda assim, os dados indicam que a estratégia do governo para isolar a população dos efeitos diretos da guerra tem funcionado, apesar do agravamento dos problemas econômicos e de segurança. A reportagem original informa que o texto pode ser atualizado caso surjam novos dados.