A análise do portal espanhol Atalayar trata da dependência europeia das passagens marítimas de Ormuz e Bab el-Mandeb. Segundo o texto, a instabilidade nessas duas regiões já reduz o fluxo de petróleo e de gás natural liquefeito que chega ao continente, e a tendência é de piora.

O estreito de Ormuz concentra cerca de 20 milhões de barris de derivados de petróleo por dia, algo perto de 20% do consumo global, além de mais de 20% do comércio mundial de GNL, em grande parte vindo do Catar. Já Bab el-Mandeb, que dá acesso ao mar Vermelho e ao canal de Suez, caiu de cerca de 8,8 milhões para 4,2 milhões de barris diários no primeiro semestre de 2025, depois que armadores passaram a desviar pelo cabo da Boa Esperança.

Os oleodutos que contornam Ormuz, como os da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, têm capacidade combinada de cerca de 6,5 milhões de barris, insuficiente para compensar o volume bloqueado. Com isso, o texto aponta risco de alta do Brent e de forte aumento do preço do gás no mercado holandês TTF, com impacto na inflação da zona do euro.

A indústria também sente o efeito. Polos petroquímicos do eixo Roterdã-Antuérpia dependem de insumos vindos do golfo Pérsico, e atrasos na entrega de peças da Ásia obrigam fábricas a manter estoques mais caros ou a parar linhas de montagem. Segundo a fonte, os efeitos mais graves ainda não chegaram por completo, pois costumam levar semanas ou meses para atingir a Europa.

No setor agrícola, o encarecimento do gas usado na produção de fertilizantes nitrogenados, somado à falta de ureia e fosfatos, pode elevar custos e reduzir colheitas, com reflexos nos preços de alimentos processados. A rota Xangai-Roterdã pelo cabo da Boa Esperança é cerca de 39% mais longa e pode adicionar entre 12 e 14 dias de viagem.

Como alternativa, a Rota do Mar do Norte, pelo Ártico russo, encurta distâncias, mas enfrenta limites. Há restrição de calado que exclui grandes porta-contêineres, uma janela de navegação de 90 a 120 dias por ano, dependência de quebra-gelos russos e obstáculos de sanções e seguros. Em 2025, a rota movimentou 37,02 milhões de toneladas, mas menos de 0,5% do comércio de contêineres entre Ásia e Europa.

Ainda não há previsão de acordo para estabilizar a região, e o texto afirma que um entendimento levaria meses para produzir efeito. A própria fonte antecipa uma nova análise sobre o estreito de Gibraltar, afetado por tensões recentes.