Uma coluna da Foreign Policy argua que o risco mais imediato da inteligência artificial não está no avanço técnico, mas no poder acumulado por um pequeno grupo de homens que comandam as maiores empresas do setor. Segundo o texto, essas figuras exercem influência extraordinária sobre o governo e a sociedade dos Estados Unidos e, por isso, sobre assuntos globais.
O caso mais destacado é o de Elon Musk, que se tornou trilionário em junho. O governo americano depende de empresas dele para o programa espacial, para comunicações globais e para disputar com a China setores como veículos elétricos e baterias. No início do segundo mandato de Donald Trump, a Casa Branca deu a Musk papel central na reestruturação da burocracia federal, com poder sobre demissões em massa e acesso a dados pessoais de milhões de cidadãos.
Outro episódio citado é a interrupção ou forte redução do acesso da Ucrânia ao serviço militar da Starlink. Segundo o Wall Street Journal, Musk teria ordenado a desaceleração, o que prejudicou a capacidade ofensiva e defensiva ucraniana na guerra com a Rússia. A Reuters informou que a decisão partiu da Casa Branca, mas Trump negou envolvimento. Até agora, não está claro quem decidiu o quê.
Influência sobre imigração e previdência
A coluna afirma que Musk também atua em debates de políticas públicas. Ele defende limitar a migração para o Ocidente vinda de regiões não brancas e ajudou a levar Trump a facilitar a entrada de membros da minoria branca da África do Sul. Na previdência, projeções indicam que o sistema americano pode ficar sem recursos, o que abriria espaço para bilionários ampliarem sua presença. Musk anunciou a doação de uma ação da SpaceX para cada criança nos EUA, avaliada em até US$ 11 bilhões, gesto que analistas associam a economia fiscal.
Na Califórnia, Mark Zuckerberg teria considerado deixar o estado após a discussão de um novo imposto sobre grandes fortunas. Ele então fez mudanças na remuneração corporativa, com a criação de uma classe de ações sem direito a voto. Outros líderes de IA no estado fazem campanha contra a medida, a Proposição 40, que será votada em novembro.
Jeff Bezos também é citado. Dono da Amazon e do Washington Post, ele vem transformando o jornal, que reduziu equipe e passou a ter páginas editoriais mais favoráveis aos negócios e à indústria de IA. A coluna sugere que essas decisões podem ter relação com o interesse em se aproximar da Casa Branca, dado o peso de contratos e regulação sobre suas empresas.
Às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, Musk ameaçou quem pretenda investigá-lo, escrevendo no X que descobriria quem puxa os fios e iria atrás dessas pessoas. O texto aponta que ele é o maior financiador de campanhas da política americana. A pergunta em aberto, segundo o autor, é se a sociedade civil e a democracia dos EUA conseguirão resistir a essa concentração de poder.




