O bolsonarismo enfrenta dificuldades para articular a futura bancada do PL no Congresso após a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos. Ele divulgou duas cartas contestando os resultados eleitorais e chegou a se declarar presidente da República, recuando em seguida e se apresentando como líder do Brasil.
O partido tem 121 deputados na Câmara, a maior bancada da Casa, e 29 das 81 cadeiras do Senado. Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, conduz pessoalmente as negociações com os novos parlamentares e com as demais legendas.
Hugo Motta (Republicanos-PB), atual presidente da Câmara, já tem o apoio de partidos que somam 338 deputados, acima dos 257 votos necessários para reeleição em turno único. Entre eles está o PT, que anunciou apoio ao seu nome ao lado de União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB e outras legendas.
Nas primeiras semanas após o primeiro turno, Flávio Bolsonaro havia afirmado que Motta não seria reconduzido. Com a derrota eleitoral dele, parte dos novos deputados do PL, oriunda de outros partidos, negocia com Valdemar o apoio a Motta em troca de espaços na Mesa Diretora e em comissões. Parlamentares ligados ao grupo mais radical rejeitam essa aproximação.
A resistência se deve sobretudo à pauta da anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, que não avançou da forma desejada. A redução de penas aprovada no Projeto da Dosimetria, promulgada pelo Congresso após veto do presidente Lula, está suspensa por liminar do ministro Alexandre de Moraes enquanto o STF analisa sua constitucionalidade.
Na disputa pelo Senado, Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, aparece como nome forte do grupo, e a senadora Tereza Cristina (PP-MS) também quer o comando da Casa. Davi Alcolumbre (União-AP), que busca a reeleição, afirma ter apoios suficientes para vencer e negocia votos inclusive com senadores de PL, PP e Republicanos.
Ainda não está definido se a bancada do PL terá candidato próprio na Câmara, nem qual será o resultado das negociações no Senado. Também não há confirmação sobre a pauta de anistia que seria discutida com Alcolumbre.




