As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos ainda não têm efeito certo sobre o dólar. Bancos e gestores de ativos divergem sobre o que deve acontecer com a moeda após a formação do Senado e do Congresso. Há, porém, uma percepção comum: o câmbio deve responder a como o presidente Donald Trump atuará depois da disputa.
Para o Commerzbank, os maiores riscos para o dólar estão em política comercial e externa. O banco avalia que uma eventual vitória democrata não deve neutralizar essas incertezas e que Trump, sem poder disputar a reeleição em 2028, poderia adotar medidas mais duras. Já analistas do J.P. Morgan avaliam que a Casa Branca manterá controle sobre temas como tarifas, inteligência artificial e política externa, mesmo com o Legislativo sob maioria democrata.
O Wells Fargo tem leitura diferente. O banco vê possibilidade de a moeda americana enfraquecer caso os democratas se tornem maioria, sobretudo se o resultado reforçar a consolidação fiscal. O Lombard Odier destaca que um Legislativo democrata poderia exercer mais controle sobre nomeações para o Federal Reserve (Fed), o banco central americano. Já o economista Luciano Sobral, da Neo Investimentos, atribui peso menor ao cenário eleitoral e considera os juros e a economia do país fatores mais importantes.
No contexto, o dólar teve forte oscilação nos quase dois anos do segundo mandato de Trump, influenciado por tarifas comerciais contra vários países e por questões geopolíticas, como a guerra contra o Irã e o desejo de anexar a Groenlândia. O índice DXY, que mede a força da moeda contra seis divisas de mercados desenvolvidos, chegou a 109,6 pontos logo após a eleição de Trump e caiu para 96,9 pontos seis meses depois. Na sexta-feira, rondava 101,9 pontos no fim do pregão.
Ainda não se sabe qual será a composição final do Congresso nem quais políticas serão conduzidas pela Casa Branca. Sobral projeta que a inflação alta e a economia forte não devem durar muito mais, e que os juros de curto prazo podem começar a cair no meio do próximo ano, o que tenderia a pesar sobre o dólar. Ele também cita o real, que tem dinâmica própria e pode se descolar dos demais pares, como ocorreu em 2024.




