O PIB do Brasil deve crescer, em média, 1,7% por ano entre 2026 e 2028, segundo projeção da consultoria internacional Kearney no estudo Global Economic Outlook 2026-2028. A estimativa foi revisada para baixo em 0,3 ponto percentual em relação à previsão anterior da consultoria, que era de 2%.

De acordo com o relatório, a produção doméstica de petróleo, a geração de energia renovável e a infraestrutura de biocombustíveis ajudaram a amortecer os efeitos da crise energética internacional. Inflação elevada e juros restritivos, porém, limitam o avanço da economia.

O sócio da Kearney Fabio Yoshitome afirmou que o país tem certa proteção contra choques de petróleo, em meio à instabilidade no Oriente Médio, mas que os juros funcionam como freio. Atualmente a taxa básica está em 13,75%, após chegar a 15% em novembro de 2025, o maior nível em quase 20 anos.

No cenário global, a Kearney projeta crescimento de 2,6% em 2026, 2,9% em 2027 e 3% em 2028, com inflação mundial de 4,5% em 2026. Nas Américas, o Brasil fica à frente de México (1,6%) e Canadá (1,5%), mas atrás de Argentina (2,6%) e Estados Unidos (2,5%).

Contexto fiscal e juros

Economistas ouvidos pelo Valor avaliam que a questão fiscal é o principal ponto de atenção. Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do FGV Ibre, disse que a chance de o país manter um crescimento próximo de 2% é menor e estimou que 2027 deve ficar perto de 1%, ou abaixo disso.

Rodrigo Nishida, economista da 4intelligence, trabalha com média de 1,5% para o triênio e projeta cerca de 1,2% para 2027, com recuperação para algo próximo de 1,8% em 2028. Ele citou juros apertados, endividamento alto de famílias e empresas e possíveis efeitos do El Niño sobre o agronegócio.

Ainda não está claro quais mudanças o governo eleito pretende fazer na política fiscal. Por isso, as projeções de curto prazo seguem sob revisão, segundo os economistas consultados.

O estudo também aponta que investimentos globais em energia podem chegar a US$ 3,4 trilhões em 2026, alta de 5%, e que a expansão da inteligência artificial exige energia, água e financiamento. Yoshitome questionou se o país tem infraestrutura para receber data centers.