O historiador James N. Green, professor emérito da Universidade Brown, avaliou que o senador Flávio Bolsonaro adotou um caminho arriscado ao vincular seu destino ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Para ele, essa aliança pode não trazer benefícios ao candidato derrotado na eleição presidencial.

Flávio, que agora está nos Estados Unidos, questionou o resultado do pleito. Green afirmou que os argumentos usados são muito fracos e que a legitimidade da votação teve amplo reconhecimento internacional. Ele citou a vantagem de 4,4 milhões de votos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e lembrou que observadores da OEA e do Carter Center reconheceram os resultados.

Interesse limitado de Washington

Segundo o especialista, a situação política do senador está longe de ser prioridade para o governo Trump, mais preocupado com as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos. Mesmo assim, ele não descarta que Flávio e sua influência sobre a direita brasileira sejam úteis ao trumpismo, sobretudo em temas de interesse do secretário de Estado, Marco Rubio.

Green também avaliou que o senador perdeu força no próprio campo político. Ele citou o interesse de Tarcísio de Freitas e de Michelle Bolsonaro em se projetar para a disputa de 2030, e afirmou que o senador recuou em declarações sobre sua posição após a derrota. Ainda assim, a fidelidade à família Bolsonaro deve persistir entre apoiadores mais fiéis.

Incertezas sobre o futuro

Ainda não está claro como as relações entre Brasil e Estados Unidos vão evoluir. Para Green, é cedo para medir um eventual abalo, que dependerá do resultado das eleições legislativas americanas e de temas como a guerra no Irã e a crise na Ucrânia. Também não se sabe se o Congresso brasileiro avançará com uma proposta de anistia, hipótese que o historiador citou como possível.