Dois atiradores palestinos abriram fogo contra um posto de controle militar israelense perto da cidade de Hebron, na Cisjordânia ocupada, na sexta-feira. O ataque matou dois soldados e feriu outros três. Forças israelenses afirmaram que os agressores tinham ligação com o Hamas, grupo que elogiou a ação.
Em resposta, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu anunciou uma operação militar extensa na Cisjordânia, de uma dimensão que, segundo ele, não se via desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Ele chegou a afirmar que pretendia destruir o local e transformá-lo por completo, e ordenou o cerco total a Hebron e o fechamento da Cisjordânia a partir da sexta-feira.
Horas depois, Netanyahu recuou parcialmente e disse que consideraria um cordão de isolamento em torno das cidades de Hebron e Halhul. Ele não cancelou a campanha, e prometeu repetir uma estratégia usada em Jenin.
Precedente em Jenin
No início de 2025, tropas israelenses lançaram uma ampla ofensiva contra grupos armados em três campos de refugiados ao redor de Jenin. A operação demoliu centenas de casas e deslocou milhares de palestinos. Netanyahu classificou os campos de refugiados em torno de Hebron como essencialmente redutos terroristas e disse que os moradores seriam retirados, com buscas casa a casa para recolher armas.
O anúncio ocorre às vésperas da eleição parlamentar israelense, marcada para terça-feira. Analistas tratam a votação como um referendo sobre a liderança de Netanyahu, incluindo a condução das guerras em Gaza, no Líbano e contra o Irã. Para vencer, ele deve precisar do apoio da direita radical, cujos eleitores defendem a anexação da Cisjordânia.
Netanyahu também prometeu fortalecer os assentamentos israelenses na Cisjordânia, considerados ilegais pelo direito internacional. Ainda não está claro até onde a operação será levada, quantas pessoas serão afetadas e se o cerco a Hebron será mantido.




